domingo, 2 de novembro de 2014

Ser reflexo do amor de Deus

      Na nossa pequenez, às vezes esquecemos em quem devemos por nossa esperança. Nos achamos fortes, maduros, auto-suficientes, sentimos que o que já caminhamos é o suficiente para enfrentar os grandes desafios que vamos passar. Confiamos demais na nossa condição humana e esquecemos que devemos ser iguais as crianças, que não se cansam de pedir colo e proteção de quem é maior e mais forte que elas. Mesmo os com maiores caminhadas na fé, ainda tropeçam num orgulho que nos faz deixar Deus de lado, de querer “resolver tudo sozinho”. Aí já viu... Caímos com a cara no chão, nos ferimos, machucamos a nós mesmos e os que estão próximos de nós, quem amamos. Na nossa precariedade de seres humanos, ainda caímos na besteira de achar que somos fortes sozinhos.
         É hora de acordar dessa vida de quedas mal arrependidas, de esbanjar uma santidade que não existe, uma fortaleza que nada mais é do que o reflexo da nossa miséria. Só podemos ser fortes se o nosso coração está enraizado no coração de Deus, se nossos olhos estiverem tão fixos no Senhor que, para que algo chame nossa atenção, esta deva estar também fixa em Jesus. Se queremos chegar ao céu, se queremos a santidade, toda nossa vida deve ser uma constante busca daquilo que Deus sonhou pra nós. Nossas amizades, amores, relacionamentos, nosso trabalho, escola, família, enfim, tudo deve estar fixo em Cristo, tendo Ele como início, meio e fim de cada coisa. Não dá mais pra viver com um pé no mundo e outro em Deus, ser santo exige mais, exige dar tudo pelo Tudo, como já dizia São João da Cruz. Dar tudo pelo Amado é reconhecer-nos pecadores e necessitados da Sua profunda misericórdia, é mergulhar nesse mistério que é o Seu seguimento, é nos transformarmos em quem Deus nos criou pra ser. Aceitar-nos frágeis, fracos, cheios de limites e imperfeições. Aceitar-nos como pessoa capaz de ser melhor, repleta do Amor, morada do Espírito Santo.
         Não é fácil assumir nossas limitações, nem lutarmos para sermos melhores. Seria mais cômodo nos contentarmos com a pouca vida que temos, com o nada, com a ilusão que o mundo oferece. Mas tenho certeza que não é isso que você quer. Tenho certeza que não é isso que eu quero! Quero o difícil, pois ele me levará ao Senhor, quero sofrer, se for preciso, para, um dia, contemplar a face de Deus em mim. Quero saber amar a Deus e aos irmãos para assim ser espelho da beleza de Deus para os que necessitam. Quero restaurar o que está borrado em mim, estragado pelos erros e pecados, pela vergonha de assumir que sou pecadora. Quero, um dia, estar tão próxima de Deus, que o viver Dele será o meu, que o querer Dele será o meu. Enfim, quero mergulhar no Amor para, assim, aprender a viver, para transpassar a superfície do meu querer e só querer o que o Senhor quiser!
         Dá-me a graça, Senhor, de abominar o pecado em mim e dai-me coragem para ir além do que é confortável, do cômodo, do exterior. Dá-me, Senhor, um coração novo, que possa refletir somente a Ti!





Sou reflexo do Teu amor
E espelho da Tua beleza, Senhor!
Nem as limitações ou minhas imperfeições
me impedirão de contemplar a Tua face em mim
Sou reflexo do Teu amor
E espelho da Tua beleza, Senhor!
Nem as limitações ou minhas imperfeições
me impedirão de contemplar a Tua face em mim
O Teu olhar em meu olhar, restaura as pinturas que borrei
Os erros que cometi, o rosto escondido, entre as marcas que deixei
O Teu viver em meu viver, me ensina como agir pra transpassar a superfície
Ir além do meu querer e mergulhar em teu amor, no teu amor
Nem as limitações ou minhas imperfeições
me impedirão de contemplar a Tua face em mim
Sou reflexo do Teu amor
E espelho da Tua beleza, Senhor!
(Abner Santos)

Carinho e orações
Michele Cristina Pacheco
Escrava inútil de Jesus por Maria

01.11.14 – Solenidade de Todos os Santos

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Primavera do tempo e Primavera de Deus



Primavera, manhã tão clara! Cada flor, no seu momento, devido tempo, brotará...” (Primavera – Kennia)




Eis o momento tão esperado por alguns. A primavera chegou e com ela toda a beleza das flores e dos frutos. Parece que os pássaros cantam mais bonito, o sol brilha, o céu fica mais azul. Estação repleta de belezas que nos recordam o Criador, tempo de fazer brotar o que no inverno estava oculto. Isso no tempo da Terra, isso dentro de nós.
Na nossa Primavera espiritual percebemos que o inverno, tão duro e frio, gerou flores e frutos que agora embelezam nossa vida. Algumas flores já esperadas e outras que surgem sem que planejássemos. Sementes que nós plantamos e semente que Deus plantou em nós na sua infinita discrição florescem em nosso jardim nos apresentando novos sonhos e novos projetos. Também os antigos renascem e aproveitam essa época para se fortificarem e amadurecerem dentro de nós. É o momento do novo, do eterno novo que encontramos em Cristo, momento de descobrir as flores aqui em nós e de regarmos o jardim.
Por vezes a chuva e o frio ainda vêm, o inverno dá uma leve espiada no tempo da primavera, mas só para recordar que as estações não acontecem sozinhas, mas dependem uma da outra para ser o que são. Nossa vida não pode ser uma eterna primavera, assim como não se pode parar no inverno nem em qualquer outra estação.
Cada coisa tem seu tempo determinado por Deus, tanto na natureza quanto na nossa vida espiritual. É o que nos ensina as Escrituras:

“Tudo tem seu tempo. Há um momento oportuno para tudo o que acontece debaixo do céu. Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher a planta. Tempo de matar e tempo de salvar; tempo de destruir e tempo de construir. Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar e tempo de dançar. Tempo de atirar pedras e tempo de as amontoar; tempo de abraçar e tempo de separar. Tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de esbanjar. Tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar. Tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.
Que proveito tira o trabalhador de seu esforço? Observei a tarefa que Deus impôs aos homens, para que nela se ocupassem. As coisas que ele fez são todas boas no tempo oportuno. Além disso, ele dispôs que fossem permanentes; no entanto o homem jamais chega a conhecer o princípio e o fim da ação que Deus realiza.”
(Eclesiastes 3,1-11)

         Nem sempre entendemos o tempo de Deus. Queremos que a primavera seja no verão, que não exista outono e inverno. Queremos que nosso coração seja sempre aquecido de consolações e alegrias e esquecemos que é necessário que as folhas caiam, necessário a poda, para que a planta se fortifique. Esquecemos que só existe calor porque existe frio. Na nossa vida espiritual esquecemos que o tempo de Deus é diferente do nosso, que o inverno é necessário e é nele que aprofundamos a nossa fé. A primavera é boa, sim, mas não existiria se não fosse precedida pelo frio e pela chuva que nutre a terra do nosso coração.
         Nesse novo tempo de Deus, nessa primavera, aproveitamos os novos sonhos, o novo impulso que o coração tem ao ver as flores de Deus nascendo em nós. Caminhamos alegremente, com nova disposição, novo ânimo para encarar os desafios e nos prepararmos para o verão de Deus. As estações nos ensinam a esperar o tempo certo, a não apressar o tempo de Deus, pois é no Seu tempo que amadurecemos e damos frutos.
         Peçamos ao Senhor o dom de saber aproveitar cada estação da nossa alma, cada momento. E que saibamos acolher e sonhar os sonhos de Deus em nossa vida, para nos tornarmos o jardim que Ele sonhou.

Carinho e orações,
Michele Cristina Pacheco
Escrava inútil de Jesus por Maria
26 de setembro de 2014


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Tu me seduzes, Senhor!

“Tu me seduzistes, Senhor, e eu me deixei seduzir! Foste mais forte do que eu e me subjugaste!
Tornei-me a zombaria de todo dia, todos se riem de mim. Sempre que abro a boca é para protestar! Vivo reclamando da violência e da opressão! A palavra de Deus tornou-se para mim vergonha e gozação todo dia.
Pensei: ‘Nunca mais hei de lembrá-lo, não falo mais em seu nome!’ Mas parecia haver um fogo a queimar-me por dentro, fechado em meus ossos. Tentei agüentar, não fui capaz.”
(Jeremias 20, 7-9)

               
  Há alguns anos atrás (dois, se bem me lembro) aconteceu aqui na minha cidade uma tarde vocacional promovida pela comunidade de vida que morava aqui, Comunidade Nova Aliança. Eu estava, para variar, numa das minhas crises de negação em aceitar a vontade de Deus na minha vida. Eu sabia o que Ele me pedia, mas não queria aceitar, não queria assumir isso em mim, achava que poderia mudar a vontade Dele, mudar os sonhos que Ele tinha para mim. Fui a esse encontro sem vontade alguma, fechada, já me preparando para dizer não a qualquer coisa que o Senhor me inspirasse. Como a comunidade onde aconteceu o encontro não era grande, o mesmo foi feito dentro da igreja. Sentei-me bem em frente do Sacrário, cara a cara com Jesus. Lembro bem desse dia, de tão forte que foi a experiência que contarei.
                O encontro começou, e a primeira pregação foi sobre a vida leiga. Ok, não prestei muita atenção por já travar uma batalha interior com o Senhor que gritava dentro de mim. Antes do inicio da segunda pregação, olhei para o Sacrário e disse a frase que nunca imaginei dizer: “Não quero, Senhor, seguir a sua vontade, não quero e não vou abrir mão da minha vida pra cumprir o que o Senhor quer. Vou te servir, mas quieta no meu canto, não quero mais mudanças na minha vida. Se o Senhor realmente quiser que eu cumpra o Seu chamado, terás que me obrigar!” Eu disse isso com uma certeza tão grande de que Ele me deixaria quieta, afinal eu tinha dado uma resposta, tinha dado o meu “não” a Ele, consciente do que isso significava. Veio a segunda pregação e com ela a resposta de Deus. A primeira coisa que o rapaz fez foi ler essa passagem, e, enquanto ele lia, em meu coração se cumpria aquilo que o profeta Jeremias escreveu. Um fogo queimava-me por dentro, tão forte que até para respirar era complicado. Um fogo que, assim como diz na passagem queimava por dentro dos meus ossos, daquilo que me sustentava, da minha falsa certeza de ter poder de me recusar a Deus. Foi algo que por mais que tente explicar, não há como, de tão intenso e interior que foi. Só sei dizer que não prestei atenção em mais nada, a batalha acontecia dentro de mim e minha resistência só me fazia sofrer sem razão, pois obviamente o Senhor ganharia. Na minha infinita teimosia ainda tentava resistir quando, por algum motivo que desconheço, o rapaz que pregava pediu para cantarem essa música:

Seduziste-me Senhor, e eu me deixei seduzir
Dominaste o meu ser e tiveste o triunfo
Bem que eu tentei relutar, os Teus planos rejeitar

Mas seduziste-me Senhor, o Teu Amor foi bem mais forte
Penetrou meu coração, quero viver só pra Te amar

É por amor que venho Te adorar
É por amor que quero me entregar a Ti
É por amor que quero Tua vontade
É por amor que hoje estou aqui

Mas ao provar da Tua Cruz eu quis desistir
Quando provei da Tua dor, de Ti eu quis fugir
Bem que eu tentei relutar, os Teus planos rejeitar

Mas seduziste-me Senhor, o Teu Amor foi bem mais forte
Penetrou meu coração, quero viver só pra Te amar

É por amor que venho Te adorar
É por amor que quero me entregar a Ti
É por amor que quero Tua vontade
É por amor que hoje estou aqui

Deus, Tu és Santo, vencedor
Ó Deus, tira de mim todo temor
Ó Deus, vou te seguir mesmo na dor
Ó Deus, dou minha vida por amor

                Não teve como não entender que não adiantava eu resistir, que só iria me machucar e machucar aqueles a minha volta. Deus me falava claramente que eu, Michele, não tinha escolha, Ele me amava e ama tanto que não desistiria de mim, e do que Ele sabia ser o que eu precisava viver. Ele não ia contra a minha liberdade, apenas me lembrava que toda escolha tem conseqüências e que Ele lutaria até o fim por mim. E essa confirmação veio quando, ao final dessa pregação, se não me engano, o rapaz leu outra passagem:

“Pois és muito precioso para mim, e mesmo que seja alto o teu preço, é a ti que eu quero!
Para te comprar, eu dou, seja quem for; entrego nações, pra te conquistar!
Não tenhas medo, estou contigo!” (Isaías 43, 4-5)

                Depois disso nem tentei lutar mais, o que sentia era um misto de um sentir-se profundamente e incomparavelmente amada por Deus e um esgotamento por tentar lutar contra isso. Na época, entendi que o Senhor me chamava a uma determinada vocação, vocação que tentei fugir durante quase seis anos. Resolvi fazer a experiência de dizer meu SIM total a Ele, a viver essa vocação. E assim foi durante um ano e três meses, tempo em que o Senhor usou para me fazer crescer na fé, na vida pessoal e no entendimento do que Ele me pedia. Como aprendi a me abrir para acolher a vontade Dele na minha vida, aceitei, mesmo sem entender muito, que essa não era minha vocação.
                Claro que os questionamentos ficaram. Por que me enviar tantos sinais, em especial nesse dia que contei, se não era essa a vontade Dele? Por que essa batalha tão grande se no final acabaria por voltar ao mesmo lugar de onde saí? Mesmo tendo certeza de que fiz a escolha certa, as perguntas ficaram.
                Hoje, ao ver essa leitura na missa, ao proclamá-la, senti que Deus me falaria algo novamente por ela. E a resposta foi clara e tão delicada que as lágrimas não resistiram em cair. Ele precisava me seduzir, precisava que eu fosse até lá para aprender a ser totalmente Dele, a não oferecer mais resistências, a esperar o Seu tempo, respeitar os Seus meios. Se hoje eu estou preparada pra enfrentar muita coisa é porque tive a oportunidade de viver esse tempo que Ele me proporcionou.
                Deus tem os meios dele de nos conduzir por seus caminhos, pra nos levar até a Sua vontade. Às vezes não entendemos, não aceitamos, fugimos e sofremos. Mas, no fundo, sabemos que de nada adianta resistir a Deus tão bondoso. Como dizer “não” a amor tão grande que não desiste de nós? Como fugir de um amor que é tão grande a ponto de morrer por nós na Cruz?
                Sim, Ele me seduziu, eu me deixei seduzir e agora não tenho outro desejo se não amar a Deus em cada momento, em cada passo. Desejo de cumprir Sua vontade em minha vida, seja ela qual for. Desejo de ir até o fim do mundo se for preciso para realizar os planos de Deus em minha vida. Não me importo em esperar, em sofrer, em chorar, em me alegrar, em carregar a minha cruz, pois sei que Ele me ama acima de tudo isso e me sustentará a cada passo, a cada dia, a cada sim que, na minha condição fraca de ser humano, eu conseguir dar. E peço a Ele que continue a ser esse fogo abrasador que ainda queima aqui dentro de mim, me lembrando que a Ele pertenço e que a santidade é o meu destino.

Com carinho e orações
Michele Cristina Pacheco
Escrava inútil de Jesus por Maria

31 de agosto de 2014

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Minha Emaús


       Minha Emaús ganha cores novas, ganha lugar novo. Minha Emaús tem as cores da Bahia, tem o som bonito do sotaque de um povo que luta para fazer o melhor pra Deus. É verde, amarela e vermelha, é casa, comunidade e padroeiro. É abraço que cura qualquer dor, é olhar que me faz sentir segura. É companhia até tarde, é mão segura a me mostrar o caminho certo. O Cristo que caminha comigo é Cristo Operário, que vai bordando e cantando na minha vida a Sua vontade. E não são dois discipulos somente, são "duas em uma" que caminham rumo ao céu. É risada sadia, choro que cura, amor puro e forte. 
      Minha aldeia tem cara de festa, de alegria. Tem som goxxtoso que me faz rir. Tem uma risada que em nenhum lugar encontrei, exagero que me faz rir. Tem gosto de melancia, de carinho, de felicidade. Tem tropeços e recomeços, tem tristezas, mas tem mais alegria. Tem corujas, amarelos e coloridos. Tem violão, tamborim e meia lua. Tem cor, sabor e som de felicidade. Tem mais abraços e risos. Tem xeru e sorrisos, tem preces, conversas e abrigos. 
      Minha estalagem tem porto seguro, tem coração disparado, tem aperto também. Tem comida gostosa, tem aprendizado diário, tem café e tem fé. Tem linhas e formas, tons e sabores. Tem voz linda a embalar meus dias e a arrancar um sorriso escondido. Tem silêncio presente e coragem infinita. 
      Minha Emaús eu tive que deixar, mas ela nunca me deixará. Quem ama nunca se vai, está sempre dentro do coração, faz morada definitiva. Voltei pra Jerusalém, mas Emaús vai comigo. Lá é minha casa, nela está meu coração. Meu coração bate no mesmo compasso, dá as paradinhas necessárias e doloridas, mas tenta caminhar mesmo assim.




Esse texto saiu hoje de manhã, enquanto lembrava de tanta coisa boa. Emaús sempre foi um lugar que me transmite tudo de bom que Deus nos dá....


"Minha alma é aquela aldeia, meu amor a estalagem, Emaús, enfim, sou eu."

domingo, 6 de abril de 2014

Ser terreno fértil em Deus



Meus dedos anseiam por escrever algo que dentro do meu coração parece não mais encontrar espaço. Mas são tantos os sentimentos e pensamentos que brotam que me parece ser impossível alinhá-los de forma coerente. Deus tem feito a semente germinar dentro desse coração duro, tantas vezes como o terreno pedregoso que fala no Evangelho, mas que quer, na sua simplicidade, ser terreno fértil para ver brotar e frutificar tudo que de bom recebeu das mãos do Semeador. Aos poucos vou aprendendo e conseguindo tirar uma pedra ou outra para tornar o terreno do meu coração mais habitável. Por vezes, Deus manda outros jardineiros para me ajudar, pois sabe que na minha pequenez, desistiria se não houvesse quem cuidasse do jardim por mim, vez ou outra. É bonito pensar em quantas sementes são lançadas sem que eu veja, quantas já nasceram comigo e quantas florescem tão delicadamente que só com olhar atento consigo perceber a sua existência. E em cada uma delas vejo o amor e a bondade de Deus, que me escolheu e me amou antes e mais do que qualquer um. Os dons que me deu, os caminhos pelos quais me enviou, tudo faz parte desse cultivo do jardim do meu coração. Faz-me lembrar um trecho de uma música: “Deus me entregou bem mais do que mereço, talvez seja por isso que eu me cobre um pouco mais.” Sim, a cobrança pode ser algo positivo, quando nos leva a ser melhores, a querer ser mais pelo Tudo. E essa busca por ser melhor é justamente a busca de dar bons frutos ao Dono do jardim. Frutos esses que, se já foram colhidos pelo Jardineiro, estão espalhados nos mais diversos cantos, talvez semeando outros corações também. De qualquer maneira esses frutos não me pertencem, mas sim Àquele que os semeou.

 "A dignidade de pertencer a Deus nos obriga, por natureza, a ser diferentes" (Beato João Paulo II)

Dizer que queremos ser terrenos férteis é dizer que queremos ser santos. E para isso é preciso estar atento ao que o Evangelho nos diz, para não deixarmos nosso coração endurecer diante das “belezas” que o mundo nos apresenta. Ser santo não é ser como as imagens que vemos nas igrejas. Elas representam algo muito maior. Nos recordam pessoas que tiveram a coragem de limpar seu terreno, de torná-lo fértil, mesmo em meio a tantas vozes contrárias. Ser santo não é coisa para poucos, é uma vocação de todos nós. E, como vocação é chamado, cabe a nós respondermos dignamente a Deus. Se pertencemos a Deus temos que desejar ser diferente, ser melhor a cada dia, a cada novo amanhecer. E, por mais que não percebamos, esse desejo por ser diferente grita dentro de nós. Nosso coração anseia por pertencer totalmente a Deus, a ser livre para se aprisionar no seu Criador. Por vezes calamos esse desejo com nossos apegos, medos, pecados e inseguranças. Por vezes nos dizemos livres, donos do nosso nariz, mas estamos totalmente presos em nós mesmos, nas nossas vontades, sujando e cercando o terreno do nosso coração, deixando o Semeador de fora. De terreno fértil passamos a terreno baldio, onde o mundo joga seu lixo. É preciso coragem para limpar o terreno do nosso coração para que nele Deus possa semear as mais belas coisas. É preciso aprender a desapegar, a se abandonar, a renunciar as próprias vontades para deixar que as vontades de Deus sejam manifestadas. É preciso ter a firme decisão de ser totalmente entregue a Deus. E não pense que isso é coisa para freira e padre. É decisão de todo cristão, de todo aquele que ama verdadeiramente a Deus. É preciso que Deus seja o centro e o primeiro em toda nossa vida, seja de casado, solteiro ou celibatário. Todos somos chamados a ser terrenos férteis, a dar a vida por Deus, a deixá-lo nos semear com as mais belas coisas, com os mais belos sonhos que nascem de seu divino coração. Limpemos nosso terreno, sejamos terrenos férteis.

Com carinho e orações,
Michele Cristina Pacheco
Escrava inútil de Jesus por Maria

06 de abril de 2014

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

"Não morrerá quem soube amar..."



Jesus, Meu Deus Humano - Pe. Fábio de Melo

 

...

É... Vou tentando achar o rumo por aqui
Vou reaprendendo ser sem ter você
Descobrindo em mim o que você deixou

...
Mas nessa ausência sei que existe outra presença
Uma força que sustenta, e que me faz permanecer... de pé

É Jesus, meu Deus humano
Meu Deus humano
Que conhece a dor de ver partir a quem se ama
Que chorou de saudade
Que sofreu por seus amigos
E que esteve ao meu lado
Quando eu vi você partir

É Jesus, meu Deus humano
Meu Deus humano
Que conhece a dor de ver partir a quem se ama
Que chorou de saudade
Que sofreu por seus amigos
E que não me abandona
Quando eu não sei compreender
Por que você partiu
Por que você se foi
E porque o milagre não se deu como eu pedi

Não, eu não vou perder a fé nem desistir
Foi você que me ensinou antes de ir
Vou vivendo assim, conhecendo o coração
Que você fez pulsar em mim


 ♫ Onde reina o Amor, fraterno Amor... onde reina o Amor, Deus ali está!♫
Saudades!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A luta e o luto...

Sei que estou sumida desse espaço tão especial pra mim, sempre passo por aqui, mato a saudade, mas faz tempo que não postei mais nada...
Os motivos são muitos, mas se resumem em algumas palavras: A luta do dia-a-dia...
Não tenho conseguido me "arrumar", me organizar para escrever aqui... um dia é uma coisa, outro dia é o tabalho, e por ai vai, desculpas e mais desculpas...

E o motivo de estar aqui hoje é um motivo triste, é uma primeira homenagem de muitas que aparecerão por aqui...

Meu pai espiritual, meu confessor, meu amigo, meu pastor, Padre Fidélis... Nos deixou na noite de domingo, depois de cumprir com suas "obrigações" de sacerdote.

Esteve comigo na sexta, brincou, conversou, fez uma homilia linda, digna de um Monsenhor... Sim, pra mim ele é Monsenhor Fidélis, ainda que a Igreja não tenha dado esse titulo a ele.

Um homem incrivel, um sacerdote que amava sua vocação, que servia alegremente e que muitas vezes foi incompreendido. Muitas pessoas não entendiam o seu jeito de ser, a procura dele por fazer tudo como Jesus pediu. Sim, as vezes ele podia ser um pouco ríspido, mas quem não tem seus dias ruins?
A devoção e o amor que ele imanava era visivel para quem quisesse ver, para quem procurasse ver além das aparências, pra quem se deixava conquistar por ele.

Essa semana tem sido de lembranças, a maioria boa, as conversas, as confissões, os conselhos, as palavras de consolo, as homilias, as celebrações... Ainda choro ao lembrar dele, e confesso que vai demorar pra passar...

Só posso dizer que sei que ele estava feliz, estava contente com a paróquia e com o trabalho do Padre Superior! Ele também estava muito feliz com o Padre Gilberto, disse que ele esté se tornando um grande Padre, e é a mais pura verdade!
Enfim, estava feliz com a comunidade Santa Catarina, e nós estavamos radiantes de ver ele tão bem!!!

A tristeza vai diminuindo com o tempo, vai deixar lugar para a alegria das lembranças... A saudade vai se estender até nos encontrarmos no Céu!!!

Essa é minha singela homenagem a esse sacerdote que dedicou sua vida inteira ao próximo, a esse homem que soube me mostrar a alegria de ser religioso e o quanto é bom o silêncio e a oração!

Agora temos ele também para interceder por nós!!!

Fiquem com Deus!

Michele Cristina Pacheco!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Metade da laranja ou tampa da panela?

Gostei muito desse texto... é do meu amigo Ronaldinho do blog Poesias, pensamentos...

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Há duas expressões que utilizamos para falar da nossa "alma gêmea". São expressões comuns mas ninguém se preocupa em saber o significado de cada uma.

Vamos pensar um pouco sobre qual das duas é a "mais certa" e, assim, usarmos a melhor expressão.

Metade da laranja



Já dizia o matemático, o professor de português e o comediante: se é metade [...], é igual". Então, vamos pegar uma laranja (pode ser qualquer uma, inclusive imaginária) e vamos cortá-la ao meio.
Veja, as duas partes são iguais, com pequenas diferenças mas iguais.
Agora que está com a metade da laranja, junte novamente as duas partes e coloque em cima da mesa e veja quanto tempo "as metades da laranja" ficarão juntas. Deu para ver que é bom pouco... mas tente de novo, junte, aperte bem e recoloque na mesa... é, talvez ficou um pouquinho mais, mas no fim não deu certo: cada um para o seu lado.

Pessoas iguais (na personalidade, gostos, sexo, etc.) não tem relacionamentos tão duradouros. São metades da laranja, mas não servem para serem unidas eternamentes em um relacionamento sério. É, fica na amizade mesmo.

Tampa da panela



Temos panelas de todos os tipos. Cada panela tem sua tampa. Fato! Veja como é a tampa e a panela (também pode ser uma panela/tampa imaginária).
A tampa, é semelhante à panela. ALgumas são da mesma cor, outras não. Mas são da mesma marca. Contém alguns traços semelhantes, mas NUNCA são idênticas! A tampa é sempre menor que a panela, e as duas se encaixam certinho. Quando tenta colocar alguma outra tampa (que não seja a da panela mesmo)... dá para disfarçar: fica meio larga, não cabe... dá para improvisar. Mas não é a mesma coisa que a tampa certa.

Tal somos nós (minha "alma gêmea"). Temos algumas semelhanças (algum gosto, algum traço de personalidade...) mas não somos iguais, idênticos. Há uma grande chance dessa amizade evoluir para um namoro e, futuramente, um casamento.

Notas finais: Comparo as mulheres com as panelas e os homens as tampas.

Vamos ver o porque:

Panela: é na panela que preparamos a comida (ou será que tem algum ser estranho que faz na tampa?), aquilo que é de essencial para nossa existência (comida) é preparado na panela. Assim como aquilo que é essencial para nossa existência (nascer) vem da barriga da mulher.

Tampa: a tampa serve pra que? Para proteger a panela, para que nada caia dentro e estrague o alimento. É de fundamental importância! É isso que o homem faz: protege e ampara a mulher e, quando ela está grávida, a criança em seu ventre.

Pois é... deu para perceber qual das duas frases é a melhor.

Mas, se você não tem metade da laranja (é uma laranja completa ^^) e não encontrou sua tampa (ou sua panela)... talvez isso signifique que você possa ser uma frigideira.



Fonte: http://www.ronaldinho-sam.blogspot.com/

Obs.: Quem ainda não achou sua tampa ou sua panela pode ser também que Deus esteja preparando alguém pra você! Não se desespere! Ou então seja uma frigideira feliz!! hahaha