domingo, 10 de abril de 2016

Tu sabes que eu Te amo

O Evangelho de hoje (3º Dom. da Páscoa - Jo 21, 1-19) é uma das passagens mais inspiradoras para mim. Jesus já havia aparecido, já havia enviado os apóstolos, mas eles continuavam na mesma vida, sem mudança, sem sair para anunciar. Não deram ouvidos para Jesus, provavelmente com medo de anunciá-Lo. Quem acreditaria que Ele teria ressuscitado? Mais fácil, mais comodo ficar na mesma vida, esquecer as coisas lindas que haviam vivido. Só que não é tão simples assim, se Deus escolhe, Deus vai até o fim. E mesmo eles tendo voltado a vida antiga, o discípulo amado não esquece, tanto que não precisou muito para reconhecer seu Senhor. 
Ao voltar para a margem, Jesus faz refeição com eles, convive, demonstra que não é um "espírito", é sim, Ele mesmo, vivo, presente na história.
Pedro não esquecera que O negara 3 vezes. Talvez seja o maior remorso em seu coração, foi fraco, não foi corajoso como prometera, não lutou pelo seu Mestre, mas fugiu, negou e "salvou a sua pele". Jesus sabe do coração de Pedro, sabe como curar essa ferida que a negação deixou. E eis que nesse momento surge uma das mais belas declarações de amor que já vi...

-"Pedro, tu me amas?" 3 vezes Jesus pergunta...
-"Sim, Senhor, tu sabes tudo, sabes que eu te amo!" 

E eis aqui o ponto em que queria chegar... Não sei explicar o quanto meu coração se enche de amor ao escutar essa declaração. 
Quero, como Pedro, dizer ao meu Senhor: "Senhor, Tu sabes tudo, Tu sabes que eu Te amo!" Não olhes minhas faltas, minhas falhas e até minhas negações. Perdoe minha falta de oração, minha fraqueza, meu egoismo e minha omissão. Lembre que sou pequeno, sou pó, que posso te abandonar, que posso ser má. Não me deixe só, não desista de mim! Questiona-me, lute por mim... Em troca Te digo que me reerguerei a cada queda, que lutarei para que as trevas não me dominem. Mil vezes, se for preciso, lutarei contra eu mesma, contra minhas más inclinações, contra aquilo que me afasta de Ti!

Não sei você, mas para mim essa declaração de amor é a prova de um profundo arrependimento. Tenho certeza que essas palavras nunca saíram do coração de Pedro... "Senhor, Tu sabes que eu Te amo", até o martírio. 
Que essa oração nos inspire a também sentir e declarar esse amor que temos por Deus, que a Ressurreição de Jesus transforme nossa vida, nosso interior para que o Amor de Jesus encontro espaço. Que quando Cristo nos perguntar: "Tu me amas?" possamos dizer como Pedro: "Tu sabes tudo, sabes que eu Te amo!" E assim construiremos a mais bela história de amor.

Fiquem com Deus!
Michele

domingo, 3 de abril de 2016

#IndicaMih: 10 Músicas Católicas sobre a Misericórdia

Oi gente linda! Tudo bom?

Hoje, domingo da Divina Misericórdia, trouxe uma lista de músicas que gosto muito e fala dessa Misericórdia infinita de Deus em nossa vida. Bora lá conferir?

1. Minha Essência - Thiago Brado

Essa música é daquelas que cantamos no momento em que mais precisamos desse Amor de Deus, do Seu Perdão e da Sua Misericórdia. Deus conhece o nosso coração e sabe que nem sempre "Exalamos o Bom Odor que Dele vem", mas espera, ansioso que voltemos a Ele pedindo: "É tudo o que tenho, recebe o meu nada, refaz a morada, habita em mim. Me pega em Teu colo, me acalma em Teu peito, sou Teu, sou eleito e a minha essência é exalar Teu cheiro."


2. Segura a Minha Mão - Davidson Silva

Sabe aquele momento em que Deus te tira lá do fundo do lamaçal? É exatamente isso que canta o Davidson. Essa é aquelas declarações do Amor Misericordioso de um Deus que vai aos extremos para nos salvar, que não desiste de nós, mesmo conhecendo todas as burradas que fazemos. "Segura a Minha Mão, aqui não é o teu lugar." Nosso lugar é sempre, sempre, sempre, junto de Deus. 


3. Confissões - Suely Façanha

Quando fazemos a experiência da Misericórdia Divina, sentimos vontade de declarar esse amor que brota em nosso coração. Acredito que seja nesse momento que surgiu essa música. A confiança que Deus não nos faltará, que Ele conhece cada parte de nós. "Senhor, Tu sabes tudo, sabes que eu Te amor!"


4. Não Temerei - Missionário Shalom

"O Amor eu encontrei, que me faz superar a fraqueza em meu coração, o medo de arriscar, sei que em Deus posso esperar." Mais uma daquelas declarações de amor de quem encontrou a Divina Misericórdia e dela não deseja se separar nunca. É uma das canções que mais inspiram a minha alma a continuar firme na caminhada, sem temer a dor, a perseguição, a santidade, pois "Vida Eterna eu encontrei no Amor do Pai!"


5. Vou Confiar - Dunga, part. Ticiana Souza

Confiar é a palavra-chave quando se trata de viver a Misericórdia em nosso dia-a-dia. Como que um Deus que fez tantas coisas pelo seu povo, o deixará desamparado quando O invocarem? Não tem como, né! Então é só confiar, que mesmo na escuridão, no medo e na dúvida, Deus agirá no momento certo. "E mesmo se a fé é pequena, milagres acontecerão!" 


6. As Misericórdias do Senhor - Irmã Kelly Patrícia

Não poderia faltar o canto que fala justamente daquela que foi chamada por Deus para divulgar essa bela devoção. Madre Kelly Patrícia tem o dom de transformar trechos de livros em músicas belíssimas. "As misericórdias do Senhor eternamente cantarei."


7. Reflexo - Abner Santos

O Abner testemunha que essa música nasceu a partir de uma profunda experiência de confissão e misericórdia. A alma profundamente arrependida encontrou abrigo nos braços de um sacerdote que foi instrumento da Misericórdia Divina. "Nem as limitações, ou minhas imperfeições, me impedirão de contemplar a Tua face em mim."


8. Vou Voltar - Davidson Silva 
Confesso que planejava colocar somente uma música de cada cantor, para assim divulgar mais pessoas. Porém não tem como deixar essa música de lado, de tanto que exala o Pai Misericordioso. Também confesso que essa é uma das minhas músicas da vida, tanto que me identifico com essa parábola. Como é bom saber que sempre teremos essa Pai, repleto de amor, esperando a nossa volta, correndo ao nosso encontro e nos amando incondicionalmente. "Perdoa-me, pois viver longe de Ti já não dá mais, eu descobri que só o Teu Amor me satisfaz!"


9. A Ovelha Sou Eu - Abner Santos (Toca de Assis)

Se sentir como uma ovelha perdida, quem nunca? Essa canção expressa esse desejo de voltar para a Misericórdia, para o Amor, para os braços do Bom Pastor. Maravilhoso é saber que Jesus sempre irá nos buscar, onde estivermos, nos chamando até que decidamos ser totalmente Dele. A música foi gravada pela Toca de Assis, mas não pude deixar de colocar a versão que gravei no show do Abner Santos aqui na minha cidade, pois nesse vídeo, Abner explica da melhor maneira possível como funciona essa Misericórdia Divina. "Hoje posso ouvir de novo a voz do Pastor a me chamar. E assim eu compreendi, se de Ti eu fugir, 99 ou mais deixarás para trás e irás me buscar."



10. Tempo de Vitória - Ziza Fernandes

E pra encerrar com chave de ouro, a maravilhosa Ziza nos ensina o que é viver na Misericórdia: ofertar a dor, o cansaço, tudo aquilo que poderia nos afastar do Pai, mas que deve ser impulso para mergulhar na Cruz Misericordiosa de Jesus que nos ama infinitamente. É aquele canto que exige coragem, vontade e entrega. Aqui aproveito para deixar meu carinho por esse grande instrumento de Deus que tem sido a Ziza. Não há como explicar o quanto suas músicas tem curado meu coração. "Vitória é o que vem depois da Cruz e ninguém há de condenar o que o Teu Amor tocar!"


E aí, o que acharam das sugestões? Conhece mais alguma música que fale da Misericórdia de Deus? Deixa aqui nos comentários! Sempre é bom conhecer um pouco mais as belíssimas músicas que Nosso Senhor inspira!

Um Santo Domingo para você e para os seus, repleto da Misericórdia Divina!

Fiquem com Deus!
Michele

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Meu propósito para a Quaresma


                De acordo com a tradição da Igreja, todos os anos somos convidados a escolher uma penitência para praticarmos na Quaresma, além daquelas que a Igreja nos pede. Essa penitência pode ser desde acordar mais cedo para rezar, a deixar de comer algo que gosta, ou comer algo que não gosta, até renunciar alguma atitude que fazemos e que prejudica nossa caminhada, como a fofoca, a reclamação, etc. Para muitos pode parecer bobagem ou algo para nos castigar, porém, se vivemos bem esse tempo de penitência, crescemos na fé e aprendemos a domar as nossas paixões.
                Bem, confesso que todo ano sigo a mesma penitência: sem Coca-cola durante esse período. Porém o costume vai tornando cada vez mais fácil de seguir, já não sendo uma penitência tão grande. E já estou há alguns dias pensando em que fazer para que fisicamente possa praticar essa renuncia e moderação, de modo que me aproxime mais de Deus.  Cheguei a decisão de ganhar 30 minutos do meu dia, rezando, além do habitual. Ganhar 30 minutos do meu dia me aproximando mais Daquele que é o sentido da Quaresma.
                Me impressiona ver quanto nos afastamos da vida de oração no nosso dia a dia, o quanto deixamos de lado pequenos momentos junto a Deus para fazer qualquer outra coisa, às vezes, até, fazermos nada. Por isso, não importando a penitência que escolherei, meu propósito para essa Quaresma é dar mais atenção aos momentos em que posso estar perto de Deus, pequenos momentos de oração, uma frase, uma olhada no sacrário ou apenas olhar para o outro como se ele fosse Cristo.
                Além da sua penitência, o que mais podes fazer para fortalecer os laços que Cristo criou em seu coração? O que pode te ajudar a se aproximar desse Amor e com isso amar aos irmãos? Convido você a fazer um propósito com o Senhor, além da penitência! Descobrir que quanto mais amamos e vivemos para Deus, mais alegria e paz encontramos em nossa vida!

sábado, 14 de novembro de 2015

Descobertas



        Descobri que não tenho capacidade para fazer e manter amigos. E como dói constatar isso. Como dói ver que acabo sempre sozinha por mais que me esforce. Confesso que sou consciente que deveria fazer mais, porém não consigo me abrir totalmente sem antes confiar, e quando confio, na maioria das vezes sou enganada, traída e deixada de lado. 
        Me considero meio anti-social, sou extremamente tímida em grupos pequenos - mesmo que pra falar para muita gente eu tenha facilidade - e tenho uma barreira que faz com que eu demore a ser uma boa companhia. Porém não ajuda nada quando eu faço um esforço tremendo para me abrir para novas pessoas ou para pessoas que já conhecia, mas não tinha dado essa chance e quando menos espero essas pessoas mudam, viram as costas para mim sem eu nem ter percebido o que fiz de errado.
        É desgastante, sabe? E eu choro, sim, por isso. Não é porque gosto de solidão ou pareço ser uma pessoa recolhida que não me sinto abandonada e esquecida. Acho que sinto até mais que quem é extrovertido. A diferença é que eu calo, não exponho por medo de me ferir ainda mais. 
        Também não tenho dom para dar murro em ponta de faca. Para fingir que tudo está bem quando não está. E acabo me afastando.
        Não sei por que essas coisas acontecem tanto comigo. O mais provável é que o erro esteja em mim, mas como saber se ninguém me mostra? Aliás, não dizem que os amigos gostam da gente como somos? E que eles devem nos ajudar a sermos melhores?
        Preciso confessar também que não tenho cultivado tantas amizades por medo de ser ferida novamente, o que quase sempre acontece. É algo inconsciente na prática. Sempre tem um muro protetor a minha volta que impede de eu sair e encontrar o outro. 
        Não sei fazer e manter amizades, não sei. Os raros que ficam, ficam por saberem da precariedade em que esse coração se encontra. São esses dois ou três que ainda mantém minha esperança.
        E olhando pra Jesus, hoje, só consigo dizer... Eh Jesus, no fim será só eu, sua Mãe e o Senhor!

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Quem são os Santos?



Já no início do nosso mês comemoramos o dia de Todos os Santos, data em que lembramos os santos conhecidos ou não.
O chamado a santidade é para cada um de nós, sem distinção: “A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos, em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1,15-16). Fomos criados Imagem e Semelhança de Deus, porém, durante nossa vida, nos afastamos dessa semelhança com nossos pecados e erros. A cada dia o Senhor nos convida a voltarmos a Ele, nos arrependendo dos pecados cometidos e lutando para ter uma vida fiel a Deus.
Essa conversão, essa luta para ser perfeito como o Pai é Perfeito é o que constrói os santos. Eles não foram pessoas que nasceram sem pecado algum e que nunca erraram na vida. Com exceção de Jesus e da Virgem Maria, todos os santos tiveram seus momentos de fraqueza e tiveram que lutar bravamente para chegar ao Céu. São João Paulo II dizia: “Santo não é aquele que não cai, mas aquele que mesmo caindo não desiste de levantar”. Ou seja, a santidade está à disposição de todos, basta que lutemos contra o pecado e caminhemos firmemente para sermos mais parecidos com a Imagem e Semelhança que Deus nos criou.
Na história da Igreja encontramos todos os “tipos” de santos. Tem aqueles que desde pequenos já transpareciam santidade, como Padre Pio, Santa Teresinha; outros tiveram uma enorme conversão, como Santo Agostinho, São Francisco; tivemos santos casados como Santa Gianna e os pais de Santa Teresinha, Luiz e Zélia; ainda temos os santos mártires, aqueles que por não negar a sua fé em Jesus Cristo perderam a vida terrena e ganharam a Vida Eterna. Enfim, se procurarmos, com certeza encontraremos um santo que teve uma história parecida com a nossa, que nos identificaremos.
E não esqueçamos também que há muitos santos que não conhecemos o nome. Muitas pessoas viveram uma vida cristã completa, porém seus nomes ficaram desconhecidos. Isso não diminui em nada a santidade ou a importância dessas pessoas, que muitas vezes foram próximas a nós. Quantos não possuem um parente, um amigo que já está ao lado de Deus intercedendo por nós?!
Roguemos a intercessão dessas santas pessoas, para que um dia cheguemos a santidade sonhada por Deus para nós!

Fiquem com Deus!
Michele Cristina Pacheco
* Texto escrito para o jornal A Voz de Maria

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

#100HappyDays (1)

Olá! Como estão?
                Alguns dias atrás eu estava atrás de algo para me motivar a enxergar a beleza das coisas. Quem acompanha o blog sabe que os últimos tempos têm sido conturbados. Enfim, fuçando pela internet eu encontrei o desafio #100HappyDays.
                O desafio consiste em publicar uma foto por dia de algo que te faz feliz. Não sei quem criou ou se é muito conhecido. Só sei que quando vi, na hora percebi que isso seria ideal para mim. Qual a melhor maneira de melhorar que começar a reparar nos pequenos ou grandes momentos de alegria que temos todos os dias?
                A princípio iria manter o desafio somente no Instagram (@michi_cristina) e no Facebook (do Blog: /chamadodedeusblog), mas realmente percebi que seria interessante dividir isso aqui nesse cantinho, tão especial para mim. Para isso vou dividir em partes, com 20 publicações, totalizando 5 postagens. O desafio vai até início do ano pelos meus cálculos, então muita coisa ainda vai sendo publicada enquanto isso.
                Vamos conferir?

Day 1: Ser feliz ao contemplar o mar e a flor, obras
do Criador!

Day 2: Passear com ele me faz mais feliz

Day 3: "...Vou vivendo assim conhecendo o 
coração que você fez pulsar em mim..."
Ser feliz mesmo na saudade!

Day 4: Ambos ensinam a fórmula para ser feliz...
Ser pobre, pequeno e instrumento nas mãos
do Senhor!

Day 5: Deixar a alma escorrer pelas letras...

Day 6: Viva a Virgem Imaculada, a Senhora
Aparecida!

Day 7: Mimos que fazem a vida mais feliz.

Day 8: Soninho bom!

Day 9: Todo mundo é assim...
Com 50%/de chance de ser feliz!
Cabe a nós corrermos atrás!

Day 10: A alegria da casa!

Day 11: Igreja

Day 12: "O que agrada a Deus em minha
pequena alma é que eu e minha pequenez e
minha pobreza!"

Day 13: há mais de 350 anos embelezando nossa
 ilha!

Day 14: Lembranças...

Day 15: "A fé é a certeza daquilo que ainda
se espera!"

Day 16: "Perto estás, se dentro estás...
Quem sempre esteve nunca deixa de vir!"

Day 17: Sim, ele dorme no meu colo.
E sim, isso me faz feliz!

Day 18: Casamento Kah e Pedro!

Day 19: Dois amores... 

Day 20: Meu cantinho de sobrevivência.
"Escrevo para sobreviver a mim mesmo"
Abner Santos


E aí, o que acharam? Acredito que é uma forma de vocês me conhecerem um pouco mais, porém gostaria de saber de vocês se essa minha ideia é válida! Comentários são sempre bem vindos!

Que Deus nos abençoe!
Michele Cristina

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O dia que me tornei "um desses pequeninos" (2)

        No último post falei sobre como me descobri um dos pequeninos, ontem, fui novamente inserida no Evangelho, tornando-me como Bartimeu, o cego. Esse pequenino que era desprezado, deixado “a beira do caminho”, com suas deficiências e dificuldades. Ao escutar o Evangelho, já consegui “entrar” na história, ver a situação com o olhar da fé, e me colocar na situação daquele pequeno. Conforme o padre realizada a bela homilia, todo o acontecimento bíblico foi se misturando a minha vida.
         A atual situação do meu coração faz-me estar como que cega, a beira do caminho, sem enxergar futuro e sem conseguir dar um passo. Mas assim como Bartimeu, estar à beira do caminho é ter esperança, saber que nada está perdido, mas que aguarda o socorro chegar. Se a esperança houvesse se dissipado, Bartimeu já estaria escondido, tendo desistido de viver. A esperança é o que o mantêm; a esperança é o que me mantém. Estamos à beira do caminho por não sentirmos pertencentes a nenhum grupo, como que isolados com nossa dor, com nossa deficiência.




         E aí eis que surge uma multidão de vozes, difícil reconhecer do que se trata, provavelmente ouvimos alguém contar sobre Jesus, seus milagres, seu poder. O que os olhos não podem ver, a alma pode, reconhece seu dono, o Senhor da sua vida, Aquele que pode tirar daquela situação. O medo talvez pudesse ter nos calado, mas ao vencê-lo, nos pusemos a gritar, a proclamar: “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim!” Talvez meio tímido, mas o suficiente para que muitos ouçam. Pessoas que apesar de seguir Jesus, ainda não reconheceram na sua alma quem Ele o é; ainda não fizeram a experiência de deixar a vida ser transformada por Cristo; ou como o padre disse na homilia, pessoas que ao querer que Jesus leve a Boa Nova para alguns, esquece que a Boa Nova é para TODOS, sem exceção. Qualquer que seja o motivo, mandam-nos calar, como se a nossa dor não importasse, não prestam atenção nas dores que sentimos, na nossa história, enfim, a insensibilidade dói mais que o que antes nos feria, mais do que a cegueira. Bartimeu e eu lembramos o porquê estamos à beira do caminho, porque as pessoas não sabem mais acolher a dor e a cegueira, preferem excluir e ficar somente entre aqueles que “são perfeitos”.
         Novamente isso poderia ter calado a ele e a mim. Confesso nessa parte que Bartimeu precisou apenas de uma chance para ter a coragem de gritar mais forte ainda. E eu já tive tantas e não aproveitei... Enfim... A coragem venceu o medo e a vergonha e ambos gritamos ainda mais forte: “FILHO DE DAVI, TEM PIEDADE DE MIM!” Novamente digo, o coração reconhece seu Dono, seu Amado, mesmo ferido pelos erros e pecados.
         Jesus já sabia de tudo isso, de todo o coração de Bartimeu, como sabe desse coração aqui. Ele já havia escutado desde a primeira vez que chamamos, mas Jesus espera que alguém se coloque a disposição, confiando que aqueles que estão próximos a Ele já aprenderam a acolher e amar os pequeninos. Quando vê que não é bem assim, Ele mesmo se pronuncia a alguém: “chame-o”. O convite é feito a alguém que Jesus sabe que não irá nos abandonar, que chegará até nós e dirá: “Coragem, levanta-te, Jesus te chama”.
         Aqui nesse ponto quero me estender mais do que já tenho me expressado aqui. Sempre haverá alguém para fazer esse papel de “chamador”, de “encorajador”. É o bom samaritano, com outro nome, mas aquele que estará lá sempre dizendo: “coragem; não desista; sei que Jesus tudo pode; nada é impossível para Ele; isso vai passar; confie; levanta-te; vá ao encontro Dele, conte seus problemas, mesmo Ele já sabendo tudo”. É aquela pessoa que realmente deixou Deus se encarnar na sua vida, fazer morada no seu coração. É o que muitos chamam de anjo, pessoas enviadas por Deus para ser luz na escuridão e mão segura a guiar quando nós mesmos não enxergamos o caminho.
         Ao ser encorajado, ao nos sentirmos amados, temos a coragem para dar um salto – mesmo que pareça engraçado um cego dar um salto – confiando que não vamos cair, porque há alguém ao nosso lado. Temos a coragem de “jogar o manto”, ou seja, deixar para trás a vergonha, o pecado, a dor, a indiferença que cobria nosso coração. E o mais importante, temos a coragem de caminhar até Jesus.
         Se o coração de Bartimeu ficou como o meu durante a homilia, ele também sentiu o coração bater mais rápido, as lágrimas caírem, a esperança se fortificar – lembra que ela nunca havia ido embora? – ao se aproximar de Jesus Cristo.
         E por óbvio que pareça, por mais que Jesus já saiba o que queremos, Ele questiona: “o que queres que eu faça?”. Ele não questiona porque acha que vamos pedir algo diferente, mas porque sabe que é preciso que tenhamos a coragem de dizer o que ainda nos falta, o que nos fere. Assim como Bartimeu, meu pedido é: “Mestre, que eu veja!” Que eu veja a dor como sinal de amor, de crescimento, de caminhada, que eu veja o que precisa ser revisto em minha vida, o que preciso mudar, o que posso fazer para seguir Jesus de forma corajosa e fiel.
         “Vai, a tua fé te curou!” Fé que nos faz sair do lugar, do comodismo, da “beira do caminho”. Fé que nos impulsiona a seguir o Amado, o Mestre e Senhor da nossa vida.
         Gratidão a Deus por ter dado em minha vida mais pessoas me dizendo “Coragem!” que pessoas me mandando calar, ou melhor, por fazer que as pessoas que me dizem “Coragem!” sejam mais ouvidas por mim, no hoje! E gratidão a Deus também, pela graça de utilizar a homilia de ontem para tocar meu coração, para que o Evangelho se encarnasse em mim e virasse vida e texto.


Que Deus abençoe cada um de nós, pequenos!

Michele Cristina

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O dia que me tornei "um desses pequeninos"


Tantas vezes li as passagens evangélicas onde Jesus ressalta a importância de ajudar os pequeninos, os sofredores, os que são abandonados e que se encontram sozinhos, a beira do caminho, com fome, sede, frio, medo e escuridão. São esses pequeninos os mais amados por Jesus e são aqueles que Jesus pede que socorrermos, dispensando um pouco do nosso tempo e do nosso servir para se dedicar a eles.
O interessante é que temos o costume de pensar que nunca estaremos no lugar dos pequeninos, que seremos sempre grandes e fortes e nunca precisaremos de ninguém. Você pode até não concordar comigo, mas estou quase certa ao afirmar que você nunca se colocou no papel do homem ferido ao chão, mas somente analisou se faria como o Bom Samaritano, que foi em socorro do necessitado. Bom, se você já se colocou no lugar do pequenino, parabéns! Significa que você já deu um passo a mais na caminhada. Ou talvez, como eu, já se sentiu ferida, furtada da alegria e da esperança e ao se ver jogada à beira do caminho, vê também tantos passarem por sua vida sem sequer oferecer um copo de água. O samaritano demora a chegar e você se pergunta o que fez para merecer estar nessa situação. Se vê sozinha, suas feridas abertas e muitas vezes expostas, mas as forças já estão tão ao final que não consegue nem mais pedir ajuda.
O que mantém nossa força nessa hora é a certeza racional – porque o emocional já está todo bagunçado – de que existe Deus e que Ele é a razão mais válida para passar pelo “vale tenebroso” sustentando a esperança de que algo mudará!
Hoje me dei conta de que estou no papel desse pequeno, que foi assaltado da sua alegria, que por conta das feridas perdeu as forças e está à beira do caminho. Porém, diferente desse pequenino, me fechei por medo de ser ainda mais ferida e machucada. É provável que o “bom samaritano” já tenha aparecido, que a hospedaria tenha sido oferecida, mas minha alma ainda não se deixa cuidar.
Na Bula de Convocação para o Ano da Misericórdia Papa Francisco fala sobre a importância de se ajudar quem está na situação destes “mais pequeninos”, de praticar as obras de misericórdia corporais e espirituais. E foi lendo essa Bula que me dei conta da situação em que me encontrava. E também da situação de muitos que apesar de ter a certeza de que Deus é a Misericórdia, ainda precisam tanto sentir isso na sua vida.


No meio do “vale tenebroso” há a beleza de ver que Cristo não desiste e não nos deixa desistir. A pequena voz dentro do seu coração que te diz constantemente: “não terminou, esforça-te mais um pouquinho, que logo a minha misericórdia vem em teu socorro” é a voz que mantém você rastejando e com um pouco de brilho no olhar!
Jesus não nos deixa em nenhum momento, nem mesmo quando não o sentimos ou pensamos que não “fizemos por merecer” a presença Dele em nossa vida. Ele está como uma mãe, que ao ver seu menino dar os primeiros passos, sabe que o filho vai cair e que vai doer, mas sabe que isso é fundamental para o aprendizado.
No meio de tanta dor, a certeza do amor e da misericórdia de Deus!
Se você também se encaixou na figura do pequeno, do jogado a beira do caminho, tenha a certeza que Deus não desiste de você, mesmo que pareça que sim. Ele está ali, esperando você se entregar totalmente para curar as feridas, sabendo que para curar às vezes precisa doer.
Eu não vou desistir! E convido você a comigo lutar para abrir o coração ao Bom Samaritano, a Jesus Cristo, o único capaz de sarar nossas feridas!

Com carinho, orações e à espera,

Michele Cristina

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Eu sou Missionário?

            O mês de outubro é um mês em que muito se fala sobre as Missões, sobre ser missionário. Mas ainda há o pensamento que ser um missionário é papel de poucos, especialmente dos padres e religiosos ou então daqueles que se aventuram a países ou lugares distantes para anunciar o Reino de Deus.

         Na verdade somos todos chamados a sermos missionários na nossa família, comunidade, paróquia, trabalho, vizinhança, etc. Ser missionário é ouvir o chamado de Deus que nos pede para ser anunciado a todos os que não O conhecem ou que esquecera quem Ele é. Dizer o “sim” ao chamado missionário é dizer “sim” ao projeto que Deus fez para nossa vida, de sermos “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5, 13-16). Dar sabor a tantos que não têm mais o gosto de se sentir amado por Deus e desviam do caminho, iluminar o mundo tão cercado de escuridão e tristeza, trazendo a tona que ser de Deus é ter uma Luz própria, que vence toda treva.


        

         São Francisco de Assis dizia que devemos evangelizar com nossa vida, com nosso testemunho! E isso se faz a partir da experiência concreta do Amor de Deus, que transforma nossa vida e nos faz “avançar para águas mais profundas” (Lc 5, 1-11). Para isso é preciso que nos alimentemos do próprio Cristo e vivamos de acordo com Seus ensinamentos. A missão verdadeira inicia dentro de nós mesmos quando descobrimos Jesus como o Senhor da nossa vida e da nossa história e a partir disso nos deixamos moldar e formar por esse Senhor, para sermos a sua Imagem e Semelhança.

         Quando a missão acontece em nossa vida, automaticamente essa luz se espalha para aqueles que estão à nossa volta. Para ser missionário não é necessário sair de porta em porta, mas sim deixar que Cristo seja anunciado para aqueles que vem até nós, através da nossa vida entregue e vivida em Deus. Também não é necessário ser sábio nem ter estudado muito, mas sim ter uma vida orante.

        O chamado a missionaridade é um chamado a cada Católico, Deus chama e espera uma resposta nossa. Sejamos missionários onde o Senhor nos enviar, sabendo que Ele sabe onde seremos necessários para que a Sua Palavra chegue aos confins da Terra.



Que Deus nos abençoe!
Michele Cristina

terça-feira, 29 de setembro de 2015

26º Domingo do Tempo Comum - Refletindo...

            As leituras e o Evangelho desse domingo falam muito sobre como é a realidade de muitas comunidades cristãs. Na primeira leitura, vemos que o ciúme e a inveja brotam de corações que não sabem ver outros profetizarem. E chega ao ponto de tentar impor a sua vontade ao profeta Moisés, que ensina que não devemos querer interferir na vontade do Senhor.
            Na segunda leitura, somos chamados a atenção para a falta de coerência na vida cristã, onde aqueles que muito têm, muitas vezes não repartem com os irmãos, deixam-se levar pela cobiça e acabam se tornando injustos, mesquinhos e deixando de lado o chamado a partilha. Vejamos que hoje muitos de nós, mesmo sem sermos ricos financeiramente, negamos o direito do próximo, deixamos que a fama, o sucesso nos cegue e faça de nós pessoas mais distantes possíveis do ideal cristão.
            No Evangelho vemos que os discípulos são ciumentos a ponto querer mandar em Jesus, dizendo o que Ele deve ou não fazer. Aí temos a imagem do que muitas vezes acontece em nosso meio. Cristãos que, conscientes ou inconscientes, se tornaram “donos da Igreja” e de Cristo por consequência. Pessoas que impões regras e determinam a fé e a devoção. Que se percebem alguém que está se destacando por qualquer motivo, na mesma hora já fica com medo de perder e faz de tudo para afastar aquela alma de Deus. Nada pode ser feito sem passar por eles, nem o padre, nem o bispo, nem o papa podem decidir nada sem consulta-los antes. E pessoas ciumentas encontramos em todas as realidades da nossa vida de Igreja: na catequese, na liturgia, nos grupos de cantos, nas coordenações, nos grupos de jovens, em meio aos diáconos, sacerdotes, bispos, etc. Ninguém está livre de passar por essa situação ou até mesmo de ser essa pessoa.
            E Jesus continua a nos alertar que a pior coisa que fazemos é escandalizar algum desses inocentes que estão iniciando na fé. Ele nos alerta sobre a importância de lutarmos contra aquelas coisas que ainda nos afastam de Deus e que prejudicam a nossa vida e a do próximo. “Se teu olho te leva a pecar, arranca-o!” (Mc 9, 47). É preciso “arrancar o mal pela raiz”, cortar relações com o mal, com o pecado, com a tentação, com o ciúme, a inveja, a perseguição descabida, enfim, com tudo aquilo que mancha o ideal de cristão.
            Somos chamados por Cristo a sermos a Sua Imagem e Semelhança, e se aceitamos ser cristãos devemos procurar com todas as nossas forças lutar contra o que ainda nos impede de dar mais um passo nessa direção.

            Rogo ao Senhor para que eu e você, tenhamos o coração ancorado na vontade do Senhor para a nossa vida, deixando para trás tudo aquilo que não nos leva a sermos melhores.