sábado, 14 de novembro de 2015

Descobertas



        Descobri que não tenho capacidade para fazer e manter amigos. E como dói constatar isso. Como dói ver que acabo sempre sozinha por mais que me esforce. Confesso que sou consciente que deveria fazer mais, porém não consigo me abrir totalmente sem antes confiar, e quando confio, na maioria das vezes sou enganada, traída e deixada de lado. 
        Me considero meio anti-social, sou extremamente tímida em grupos pequenos - mesmo que pra falar para muita gente eu tenha facilidade - e tenho uma barreira que faz com que eu demore a ser uma boa companhia. Porém não ajuda nada quando eu faço um esforço tremendo para me abrir para novas pessoas ou para pessoas que já conhecia, mas não tinha dado essa chance e quando menos espero essas pessoas mudam, viram as costas para mim sem eu nem ter percebido o que fiz de errado.
        É desgastante, sabe? E eu choro, sim, por isso. Não é porque gosto de solidão ou pareço ser uma pessoa recolhida que não me sinto abandonada e esquecida. Acho que sinto até mais que quem é extrovertido. A diferença é que eu calo, não exponho por medo de me ferir ainda mais. 
        Também não tenho dom para dar murro em ponta de faca. Para fingir que tudo está bem quando não está. E acabo me afastando.
        Não sei por que essas coisas acontecem tanto comigo. O mais provável é que o erro esteja em mim, mas como saber se ninguém me mostra? Aliás, não dizem que os amigos gostam da gente como somos? E que eles devem nos ajudar a sermos melhores?
        Preciso confessar também que não tenho cultivado tantas amizades por medo de ser ferida novamente, o que quase sempre acontece. É algo inconsciente na prática. Sempre tem um muro protetor a minha volta que impede de eu sair e encontrar o outro. 
        Não sei fazer e manter amizades, não sei. Os raros que ficam, ficam por saberem da precariedade em que esse coração se encontra. São esses dois ou três que ainda mantém minha esperança.
        E olhando pra Jesus, hoje, só consigo dizer... Eh Jesus, no fim será só eu, sua Mãe e o Senhor!

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Quem são os Santos?



Já no início do nosso mês comemoramos o dia de Todos os Santos, data em que lembramos os santos conhecidos ou não.
O chamado a santidade é para cada um de nós, sem distinção: “A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos, em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1,15-16). Fomos criados Imagem e Semelhança de Deus, porém, durante nossa vida, nos afastamos dessa semelhança com nossos pecados e erros. A cada dia o Senhor nos convida a voltarmos a Ele, nos arrependendo dos pecados cometidos e lutando para ter uma vida fiel a Deus.
Essa conversão, essa luta para ser perfeito como o Pai é Perfeito é o que constrói os santos. Eles não foram pessoas que nasceram sem pecado algum e que nunca erraram na vida. Com exceção de Jesus e da Virgem Maria, todos os santos tiveram seus momentos de fraqueza e tiveram que lutar bravamente para chegar ao Céu. São João Paulo II dizia: “Santo não é aquele que não cai, mas aquele que mesmo caindo não desiste de levantar”. Ou seja, a santidade está à disposição de todos, basta que lutemos contra o pecado e caminhemos firmemente para sermos mais parecidos com a Imagem e Semelhança que Deus nos criou.
Na história da Igreja encontramos todos os “tipos” de santos. Tem aqueles que desde pequenos já transpareciam santidade, como Padre Pio, Santa Teresinha; outros tiveram uma enorme conversão, como Santo Agostinho, São Francisco; tivemos santos casados como Santa Gianna e os pais de Santa Teresinha, Luiz e Zélia; ainda temos os santos mártires, aqueles que por não negar a sua fé em Jesus Cristo perderam a vida terrena e ganharam a Vida Eterna. Enfim, se procurarmos, com certeza encontraremos um santo que teve uma história parecida com a nossa, que nos identificaremos.
E não esqueçamos também que há muitos santos que não conhecemos o nome. Muitas pessoas viveram uma vida cristã completa, porém seus nomes ficaram desconhecidos. Isso não diminui em nada a santidade ou a importância dessas pessoas, que muitas vezes foram próximas a nós. Quantos não possuem um parente, um amigo que já está ao lado de Deus intercedendo por nós?!
Roguemos a intercessão dessas santas pessoas, para que um dia cheguemos a santidade sonhada por Deus para nós!

Fiquem com Deus!
Michele Cristina Pacheco
* Texto escrito para o jornal A Voz de Maria

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

#100HappyDays (1)

Olá! Como estão?
                Alguns dias atrás eu estava atrás de algo para me motivar a enxergar a beleza das coisas. Quem acompanha o blog sabe que os últimos tempos têm sido conturbados. Enfim, fuçando pela internet eu encontrei o desafio #100HappyDays.
                O desafio consiste em publicar uma foto por dia de algo que te faz feliz. Não sei quem criou ou se é muito conhecido. Só sei que quando vi, na hora percebi que isso seria ideal para mim. Qual a melhor maneira de melhorar que começar a reparar nos pequenos ou grandes momentos de alegria que temos todos os dias?
                A princípio iria manter o desafio somente no Instagram (@michi_cristina) e no Facebook (do Blog: /chamadodedeusblog), mas realmente percebi que seria interessante dividir isso aqui nesse cantinho, tão especial para mim. Para isso vou dividir em partes, com 20 publicações, totalizando 5 postagens. O desafio vai até início do ano pelos meus cálculos, então muita coisa ainda vai sendo publicada enquanto isso.
                Vamos conferir?

Day 1: Ser feliz ao contemplar o mar e a flor, obras
do Criador!

Day 2: Passear com ele me faz mais feliz

Day 3: "...Vou vivendo assim conhecendo o 
coração que você fez pulsar em mim..."
Ser feliz mesmo na saudade!

Day 4: Ambos ensinam a fórmula para ser feliz...
Ser pobre, pequeno e instrumento nas mãos
do Senhor!

Day 5: Deixar a alma escorrer pelas letras...

Day 6: Viva a Virgem Imaculada, a Senhora
Aparecida!

Day 7: Mimos que fazem a vida mais feliz.

Day 8: Soninho bom!

Day 9: Todo mundo é assim...
Com 50%/de chance de ser feliz!
Cabe a nós corrermos atrás!

Day 10: A alegria da casa!

Day 11: Igreja

Day 12: "O que agrada a Deus em minha
pequena alma é que eu e minha pequenez e
minha pobreza!"

Day 13: há mais de 350 anos embelezando nossa
 ilha!

Day 14: Lembranças...

Day 15: "A fé é a certeza daquilo que ainda
se espera!"

Day 16: "Perto estás, se dentro estás...
Quem sempre esteve nunca deixa de vir!"

Day 17: Sim, ele dorme no meu colo.
E sim, isso me faz feliz!

Day 18: Casamento Kah e Pedro!

Day 19: Dois amores... 

Day 20: Meu cantinho de sobrevivência.
"Escrevo para sobreviver a mim mesmo"
Abner Santos


E aí, o que acharam? Acredito que é uma forma de vocês me conhecerem um pouco mais, porém gostaria de saber de vocês se essa minha ideia é válida! Comentários são sempre bem vindos!

Que Deus nos abençoe!
Michele Cristina

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O dia que me tornei "um desses pequeninos" (2)

        No último post falei sobre como me descobri um dos pequeninos, ontem, fui novamente inserida no Evangelho, tornando-me como Bartimeu, o cego. Esse pequenino que era desprezado, deixado “a beira do caminho”, com suas deficiências e dificuldades. Ao escutar o Evangelho, já consegui “entrar” na história, ver a situação com o olhar da fé, e me colocar na situação daquele pequeno. Conforme o padre realizada a bela homilia, todo o acontecimento bíblico foi se misturando a minha vida.
         A atual situação do meu coração faz-me estar como que cega, a beira do caminho, sem enxergar futuro e sem conseguir dar um passo. Mas assim como Bartimeu, estar à beira do caminho é ter esperança, saber que nada está perdido, mas que aguarda o socorro chegar. Se a esperança houvesse se dissipado, Bartimeu já estaria escondido, tendo desistido de viver. A esperança é o que o mantêm; a esperança é o que me mantém. Estamos à beira do caminho por não sentirmos pertencentes a nenhum grupo, como que isolados com nossa dor, com nossa deficiência.




         E aí eis que surge uma multidão de vozes, difícil reconhecer do que se trata, provavelmente ouvimos alguém contar sobre Jesus, seus milagres, seu poder. O que os olhos não podem ver, a alma pode, reconhece seu dono, o Senhor da sua vida, Aquele que pode tirar daquela situação. O medo talvez pudesse ter nos calado, mas ao vencê-lo, nos pusemos a gritar, a proclamar: “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim!” Talvez meio tímido, mas o suficiente para que muitos ouçam. Pessoas que apesar de seguir Jesus, ainda não reconheceram na sua alma quem Ele o é; ainda não fizeram a experiência de deixar a vida ser transformada por Cristo; ou como o padre disse na homilia, pessoas que ao querer que Jesus leve a Boa Nova para alguns, esquece que a Boa Nova é para TODOS, sem exceção. Qualquer que seja o motivo, mandam-nos calar, como se a nossa dor não importasse, não prestam atenção nas dores que sentimos, na nossa história, enfim, a insensibilidade dói mais que o que antes nos feria, mais do que a cegueira. Bartimeu e eu lembramos o porquê estamos à beira do caminho, porque as pessoas não sabem mais acolher a dor e a cegueira, preferem excluir e ficar somente entre aqueles que “são perfeitos”.
         Novamente isso poderia ter calado a ele e a mim. Confesso nessa parte que Bartimeu precisou apenas de uma chance para ter a coragem de gritar mais forte ainda. E eu já tive tantas e não aproveitei... Enfim... A coragem venceu o medo e a vergonha e ambos gritamos ainda mais forte: “FILHO DE DAVI, TEM PIEDADE DE MIM!” Novamente digo, o coração reconhece seu Dono, seu Amado, mesmo ferido pelos erros e pecados.
         Jesus já sabia de tudo isso, de todo o coração de Bartimeu, como sabe desse coração aqui. Ele já havia escutado desde a primeira vez que chamamos, mas Jesus espera que alguém se coloque a disposição, confiando que aqueles que estão próximos a Ele já aprenderam a acolher e amar os pequeninos. Quando vê que não é bem assim, Ele mesmo se pronuncia a alguém: “chame-o”. O convite é feito a alguém que Jesus sabe que não irá nos abandonar, que chegará até nós e dirá: “Coragem, levanta-te, Jesus te chama”.
         Aqui nesse ponto quero me estender mais do que já tenho me expressado aqui. Sempre haverá alguém para fazer esse papel de “chamador”, de “encorajador”. É o bom samaritano, com outro nome, mas aquele que estará lá sempre dizendo: “coragem; não desista; sei que Jesus tudo pode; nada é impossível para Ele; isso vai passar; confie; levanta-te; vá ao encontro Dele, conte seus problemas, mesmo Ele já sabendo tudo”. É aquela pessoa que realmente deixou Deus se encarnar na sua vida, fazer morada no seu coração. É o que muitos chamam de anjo, pessoas enviadas por Deus para ser luz na escuridão e mão segura a guiar quando nós mesmos não enxergamos o caminho.
         Ao ser encorajado, ao nos sentirmos amados, temos a coragem para dar um salto – mesmo que pareça engraçado um cego dar um salto – confiando que não vamos cair, porque há alguém ao nosso lado. Temos a coragem de “jogar o manto”, ou seja, deixar para trás a vergonha, o pecado, a dor, a indiferença que cobria nosso coração. E o mais importante, temos a coragem de caminhar até Jesus.
         Se o coração de Bartimeu ficou como o meu durante a homilia, ele também sentiu o coração bater mais rápido, as lágrimas caírem, a esperança se fortificar – lembra que ela nunca havia ido embora? – ao se aproximar de Jesus Cristo.
         E por óbvio que pareça, por mais que Jesus já saiba o que queremos, Ele questiona: “o que queres que eu faça?”. Ele não questiona porque acha que vamos pedir algo diferente, mas porque sabe que é preciso que tenhamos a coragem de dizer o que ainda nos falta, o que nos fere. Assim como Bartimeu, meu pedido é: “Mestre, que eu veja!” Que eu veja a dor como sinal de amor, de crescimento, de caminhada, que eu veja o que precisa ser revisto em minha vida, o que preciso mudar, o que posso fazer para seguir Jesus de forma corajosa e fiel.
         “Vai, a tua fé te curou!” Fé que nos faz sair do lugar, do comodismo, da “beira do caminho”. Fé que nos impulsiona a seguir o Amado, o Mestre e Senhor da nossa vida.
         Gratidão a Deus por ter dado em minha vida mais pessoas me dizendo “Coragem!” que pessoas me mandando calar, ou melhor, por fazer que as pessoas que me dizem “Coragem!” sejam mais ouvidas por mim, no hoje! E gratidão a Deus também, pela graça de utilizar a homilia de ontem para tocar meu coração, para que o Evangelho se encarnasse em mim e virasse vida e texto.


Que Deus abençoe cada um de nós, pequenos!

Michele Cristina

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O dia que me tornei "um desses pequeninos"


Tantas vezes li as passagens evangélicas onde Jesus ressalta a importância de ajudar os pequeninos, os sofredores, os que são abandonados e que se encontram sozinhos, a beira do caminho, com fome, sede, frio, medo e escuridão. São esses pequeninos os mais amados por Jesus e são aqueles que Jesus pede que socorrermos, dispensando um pouco do nosso tempo e do nosso servir para se dedicar a eles.
O interessante é que temos o costume de pensar que nunca estaremos no lugar dos pequeninos, que seremos sempre grandes e fortes e nunca precisaremos de ninguém. Você pode até não concordar comigo, mas estou quase certa ao afirmar que você nunca se colocou no papel do homem ferido ao chão, mas somente analisou se faria como o Bom Samaritano, que foi em socorro do necessitado. Bom, se você já se colocou no lugar do pequenino, parabéns! Significa que você já deu um passo a mais na caminhada. Ou talvez, como eu, já se sentiu ferida, furtada da alegria e da esperança e ao se ver jogada à beira do caminho, vê também tantos passarem por sua vida sem sequer oferecer um copo de água. O samaritano demora a chegar e você se pergunta o que fez para merecer estar nessa situação. Se vê sozinha, suas feridas abertas e muitas vezes expostas, mas as forças já estão tão ao final que não consegue nem mais pedir ajuda.
O que mantém nossa força nessa hora é a certeza racional – porque o emocional já está todo bagunçado – de que existe Deus e que Ele é a razão mais válida para passar pelo “vale tenebroso” sustentando a esperança de que algo mudará!
Hoje me dei conta de que estou no papel desse pequeno, que foi assaltado da sua alegria, que por conta das feridas perdeu as forças e está à beira do caminho. Porém, diferente desse pequenino, me fechei por medo de ser ainda mais ferida e machucada. É provável que o “bom samaritano” já tenha aparecido, que a hospedaria tenha sido oferecida, mas minha alma ainda não se deixa cuidar.
Na Bula de Convocação para o Ano da Misericórdia Papa Francisco fala sobre a importância de se ajudar quem está na situação destes “mais pequeninos”, de praticar as obras de misericórdia corporais e espirituais. E foi lendo essa Bula que me dei conta da situação em que me encontrava. E também da situação de muitos que apesar de ter a certeza de que Deus é a Misericórdia, ainda precisam tanto sentir isso na sua vida.


No meio do “vale tenebroso” há a beleza de ver que Cristo não desiste e não nos deixa desistir. A pequena voz dentro do seu coração que te diz constantemente: “não terminou, esforça-te mais um pouquinho, que logo a minha misericórdia vem em teu socorro” é a voz que mantém você rastejando e com um pouco de brilho no olhar!
Jesus não nos deixa em nenhum momento, nem mesmo quando não o sentimos ou pensamos que não “fizemos por merecer” a presença Dele em nossa vida. Ele está como uma mãe, que ao ver seu menino dar os primeiros passos, sabe que o filho vai cair e que vai doer, mas sabe que isso é fundamental para o aprendizado.
No meio de tanta dor, a certeza do amor e da misericórdia de Deus!
Se você também se encaixou na figura do pequeno, do jogado a beira do caminho, tenha a certeza que Deus não desiste de você, mesmo que pareça que sim. Ele está ali, esperando você se entregar totalmente para curar as feridas, sabendo que para curar às vezes precisa doer.
Eu não vou desistir! E convido você a comigo lutar para abrir o coração ao Bom Samaritano, a Jesus Cristo, o único capaz de sarar nossas feridas!

Com carinho, orações e à espera,

Michele Cristina

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Eu sou Missionário?

            O mês de outubro é um mês em que muito se fala sobre as Missões, sobre ser missionário. Mas ainda há o pensamento que ser um missionário é papel de poucos, especialmente dos padres e religiosos ou então daqueles que se aventuram a países ou lugares distantes para anunciar o Reino de Deus.

         Na verdade somos todos chamados a sermos missionários na nossa família, comunidade, paróquia, trabalho, vizinhança, etc. Ser missionário é ouvir o chamado de Deus que nos pede para ser anunciado a todos os que não O conhecem ou que esquecera quem Ele é. Dizer o “sim” ao chamado missionário é dizer “sim” ao projeto que Deus fez para nossa vida, de sermos “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5, 13-16). Dar sabor a tantos que não têm mais o gosto de se sentir amado por Deus e desviam do caminho, iluminar o mundo tão cercado de escuridão e tristeza, trazendo a tona que ser de Deus é ter uma Luz própria, que vence toda treva.


        

         São Francisco de Assis dizia que devemos evangelizar com nossa vida, com nosso testemunho! E isso se faz a partir da experiência concreta do Amor de Deus, que transforma nossa vida e nos faz “avançar para águas mais profundas” (Lc 5, 1-11). Para isso é preciso que nos alimentemos do próprio Cristo e vivamos de acordo com Seus ensinamentos. A missão verdadeira inicia dentro de nós mesmos quando descobrimos Jesus como o Senhor da nossa vida e da nossa história e a partir disso nos deixamos moldar e formar por esse Senhor, para sermos a sua Imagem e Semelhança.

         Quando a missão acontece em nossa vida, automaticamente essa luz se espalha para aqueles que estão à nossa volta. Para ser missionário não é necessário sair de porta em porta, mas sim deixar que Cristo seja anunciado para aqueles que vem até nós, através da nossa vida entregue e vivida em Deus. Também não é necessário ser sábio nem ter estudado muito, mas sim ter uma vida orante.

        O chamado a missionaridade é um chamado a cada Católico, Deus chama e espera uma resposta nossa. Sejamos missionários onde o Senhor nos enviar, sabendo que Ele sabe onde seremos necessários para que a Sua Palavra chegue aos confins da Terra.



Que Deus nos abençoe!
Michele Cristina

terça-feira, 29 de setembro de 2015

26º Domingo do Tempo Comum - Refletindo...

            As leituras e o Evangelho desse domingo falam muito sobre como é a realidade de muitas comunidades cristãs. Na primeira leitura, vemos que o ciúme e a inveja brotam de corações que não sabem ver outros profetizarem. E chega ao ponto de tentar impor a sua vontade ao profeta Moisés, que ensina que não devemos querer interferir na vontade do Senhor.
            Na segunda leitura, somos chamados a atenção para a falta de coerência na vida cristã, onde aqueles que muito têm, muitas vezes não repartem com os irmãos, deixam-se levar pela cobiça e acabam se tornando injustos, mesquinhos e deixando de lado o chamado a partilha. Vejamos que hoje muitos de nós, mesmo sem sermos ricos financeiramente, negamos o direito do próximo, deixamos que a fama, o sucesso nos cegue e faça de nós pessoas mais distantes possíveis do ideal cristão.
            No Evangelho vemos que os discípulos são ciumentos a ponto querer mandar em Jesus, dizendo o que Ele deve ou não fazer. Aí temos a imagem do que muitas vezes acontece em nosso meio. Cristãos que, conscientes ou inconscientes, se tornaram “donos da Igreja” e de Cristo por consequência. Pessoas que impões regras e determinam a fé e a devoção. Que se percebem alguém que está se destacando por qualquer motivo, na mesma hora já fica com medo de perder e faz de tudo para afastar aquela alma de Deus. Nada pode ser feito sem passar por eles, nem o padre, nem o bispo, nem o papa podem decidir nada sem consulta-los antes. E pessoas ciumentas encontramos em todas as realidades da nossa vida de Igreja: na catequese, na liturgia, nos grupos de cantos, nas coordenações, nos grupos de jovens, em meio aos diáconos, sacerdotes, bispos, etc. Ninguém está livre de passar por essa situação ou até mesmo de ser essa pessoa.
            E Jesus continua a nos alertar que a pior coisa que fazemos é escandalizar algum desses inocentes que estão iniciando na fé. Ele nos alerta sobre a importância de lutarmos contra aquelas coisas que ainda nos afastam de Deus e que prejudicam a nossa vida e a do próximo. “Se teu olho te leva a pecar, arranca-o!” (Mc 9, 47). É preciso “arrancar o mal pela raiz”, cortar relações com o mal, com o pecado, com a tentação, com o ciúme, a inveja, a perseguição descabida, enfim, com tudo aquilo que mancha o ideal de cristão.
            Somos chamados por Cristo a sermos a Sua Imagem e Semelhança, e se aceitamos ser cristãos devemos procurar com todas as nossas forças lutar contra o que ainda nos impede de dar mais um passo nessa direção.

            Rogo ao Senhor para que eu e você, tenhamos o coração ancorado na vontade do Senhor para a nossa vida, deixando para trás tudo aquilo que não nos leva a sermos melhores.

domingo, 26 de julho de 2015

Pães e Peixes na minha Vida

         A partilha hoje é breve, fruto de um tempo conturbado mas produtivo.
         Prometi que haveriam mais posts aqui no blog, e como podem perceber, parei mais uma vez, sem conseguir cumprir o prometido. Os motivos foram muitos, desde doença até a correria do trabalho e da vida. 
        O que acontece é que quando algo não vai bem em mim, seja no físico, no emocional ou no espiritual, isso reflete na minha capacidade de escrever. Não sei escrever sem deixar um pouco da minha essência escorrer entre as palavras, e essa essência quase desaparece quando estou passando pelas "turbulências da vida". 
         Nada disso deveria ser desculpa para as coisas que faço. mas, felizmente, eu acho, não consigo separar o que sou do que escrevo. Quem me conhece sabe muito bem descobrir meus sentimentos através do que escrevo. Né Irmã Eliete? rsrsrs
         O que tirei de "lição" desses dias, é que ainda me falta muito confiar na Providência Divina. Ainda falta muito para meu abandono ser real, para que eu saiba passar por tudo confiando que Deus vai agir, e descansar. 
         No Evangelho da multiplicação dos pães (o Evangelho desse domingo, o 17º do Tempo Comum), Jesus nos mostra 2 atitudes que temos diante das dificuldades. Quando constatou que havia uma multidão e que precisava alimentá-los, se depara com o cálculo frio do apóstolo que pensa em quanto gastaria financeiramente para alimentar a multidão. Quantas vezes já decretamos como impossível algo porque pensando friamente descobrimos que exigiria mais do que nós somos capazes?
         A segunda atitude vem com o outro apóstolo, que apresenta o fato de que há um menino que têm pães e peixes, mas deixa-se vencer pelo desanimo ao acreditar que não conseguiria alimentar a multidão com somente aquilo. Quantas vezes nós até vemos uma possível solução, mas nos desmotivamos por pensar que nosso problema é maior do que a solução?
         E por fim Jesus nos mostra a confiança e a prudência do menino. Ele não esperou que os pães caíssem do céu, mas garantiu sua alimentação naquele período. Ele nos ensina que confiar em Deus não é "cruzar os braços" e esperar que Deus faça tudo, mas confiar que, se faço a minha parte, Deus cuida do restante. O menino nos ensina também que o abandono em Cristo significa entregar o que temos de mais precioso, aquilo que pode salvar nossa vida (lembremos que o menino poderia negar de entregar os pães e os peixes, alegando que eram para sua sobrevivência). Ele confia tanto na Providência Divina que sabe que Jesus jamais o deixaria perecer e assim doa o seu pouco acreditando que o Filho de Deus transformaria em muito.
         Confiar na Providência Divina não é fácil... Nossa fraqueza insiste em nos conduzir ao individualismo, ao querer resolver tudo com "as próprias mãos", se esquecendo que Jesus é o Deus do impossível. 
         Quem eu quero ser dentro das 3 opções que o Evangelho propõe? Quem eu tenho sido?

Que Deus nos abençoe!
Michele Cristina

sábado, 20 de junho de 2015

O Semeador e a pequena semente

         Não sei se já aconteceu com alguém aqui, mas sabe quando você acorda com um trecho de uma música fixa na sua cabeça? Então, foi o que ocorreu comigo na manhã de domingo. Foi como se o que tivesse me despertado tivesse sido justamente esse trecho: "Se Eu não te enxertar em Mim, sua busca não terá fim..."
         Pra quem não conhece, é um trecho da música "Sementes" do Dunga. Bom, eu acordei e fiquei com essa música martelando minha cabeça. Lembrei do restante e isso me fez rezar mesmo sem perceber.
Qual foi a minha surpresa quando na Santa Missa o Evangelho era justamente a passagem do "semeador"! Nossa, lembrei na hora do ocorrido de manhã. Ainda pra completar, o casal de músicos que animava a Missa, tocou uma das músicas da minha primeira comunhão. Aí sim, a lança foi fincada com força nesse peito bobo. 
         Fiquei querendo descobrir o que Deus quis dizer a mim diante disso tudo. Eu sei... É o trecho da música que precede o que me acordou... "Tenho visto você procurar um lugar pra se encaixar, percebo que não consegue ser feliz. Se Eu não te enxertar em mim sua busca não terá fim."
         Não vou dizer que estou infeliz, ao contrário, tenho me sentido feliz com a minha vida. Porém, ainda não é a felicidade que o Senhor sonhou pra mim. Sei que é complicado pra muitos entenderem isso, e pra mim também é um pouco, mas vou tentar explicar. Deus nos chama a uma felicidade plena, mesmo com tribulações. Quando encontrarmos essa felicidade, nem mesmo os problemas e as situações poderão nos abalar. Agora, Deus é tão bom que mesmo antes de encontrarmos essa felicidade, Ele nos deixa experimentar dela em diversos momentos. Mas esses momentos passam e aquela sensação de "ainda não achei meu lugar" fica.
         Às vezes é falta de achar o lugar mesmo, porém muitas vezes é falta de abandono, de se entregar a Deus. Ele, que é o semeador, sabe em qual solo daremos mais frutos, seremos mais completos. Mas mesmo que estejamos no "lugar" certo ainda vai faltar algo, vai faltar que nos deixemos enxertar no coração de Cristo, que busquemos tirar as ervas daninhas que sufocam nossa semente.
         E é nesse sentido que venho dizer... Se eu não deixar Deus me enxertar nele, posso passar a vida toda atrás da felicidade que não a encontrarei.
         Durante essa semana fiquei pensando nisso e ontem (sexta) me confessei com o propósito de deixar meu coração nas mãos de Deus para que Ele me plante onde for melhor. É esse o meu maior desejo, ser uma pequena semente nas mãos do meu Semeador.
         E o seu desejo, qual é? Sua semente já está nas mãos do Semeador?

Que Deus nos abençoe
Michele Cristina

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Que lugar Jesus ocupa em sua vida?

Isso tem me trazido muitas reflexões...
Porque é fácil dizer que Jesus é o Senhor da minha vida, mas não fazer nada para corresponder a esse amor, ou só fazer aquilo que é fácil, agradável e que não me pede nada em troca.
Que difícil é encontrar as pessoas que se dizem toda de Deus (e muitas vezes me incluo nessas) quando se precisa acordar de madrugada, sair da zona de conforto, deixar os apegos, etc! Espanta-me como nós temos a mania de achar que Jesus só precisa do nosso amor e não do nosso sacrifício.
Quem encontra o verdadeiro amor deseja só viver para ele. E nós dizemos que O encontramos, porém não deixamos os amores antigos de lado. Claro que ninguém é obrigado a se enclausurar num mosteiro, nem deixar de lado tudo que fazia. Mas vamos combinar que tem atitudes e coisas que não condizem com uma pessoa que assumiu verdadeiramente amar a Jesus. E lá no fundo do nosso interior sabemos o que é que ainda não deixamos pra seguir o Mestre. Quem sabe são algumas amizades, alguns apegos, algumas manias, alguns hábitos... Enfim, acho que durante essa reflexão algo veio a sua mente. 
-Ah, mas eu não vou deixar de fazer isso ou aquilo, Jesus me entenderá.
Claro que entenderá, mas será que isso significa que amamos por completo? Tenho certeza que não. 
O mais estranho é que, quanto mais apegados estamos a nós mesmos, mais achamos ser o senhor da razão, aquele que sabe e pode falar dos erros dos outros. É fácil achar defeito no irmão enquanto não queremos ver os nossos. Isso também mostra que não estamos totalmente entregues ao Senhor, pois quem ama quer também se parecer com o amado, e Jesus não fica apontado o defeito do próximo.
Sabe, tudo o que estou escrevendo aqui é para mim também. Quantas vezes sou hipócrita a ponto de criticar o que o outro fala, mas não gostar quando fazem o mesmo comigo, ou na vontade de ser aquilo que não sou, julgo justamente o comportamento que tenho.
Não há uma formula mágica para sermos diferentes. O que existe são milhares de exemplos de santos e santas que souberam se desapegar e amar a Jesus de todo o coração. Não nos enganemos achando que o caminho é fácil e cômodo, mas tenhamos a certeza que vale a pena amar Jesus de todo coração.
É chegado o momento de darmos um basta, de jogarmos fora as máscaras que ainda usamos e que desfiguram a verdadeira face de Cristo em nós! É hora de decisão corajosa pela verdade, da escolha fiel e sincera pelo Amor, com suas responsabilidades, alegrias e renúncias. Só assim poderemos dizer que amamos a Cristo de todo coração!

Que Deus nos abençoe!
Michi Cristina