sexta-feira, 22 de maio de 2015

Recomeço

Olá povo amado de Deus!

Saudade de estar aqui no nosso cantinho!

Estava sumida há tempos, né?  Então, tanta coisa aconteceu nesse tempo que nem tem como explicar pra você em um post. Mas quero hoje me comprometer com vocês a estar sempre por aqui, buscando o Chamado de Deus com vocês.
O Chamado de Deus foi um espaço que eu criei para expressar meus pensamentos, aquilo que eu gostava, sentia, etc. E assim como eu fui mudando, ele foi mudando também. Passou por fases bem formativas, outras quase sem postagens, por ser épocas em que eu precisava me dedicar mais a minha vida espiritual ou então por serem momentos sem alguma inspiração, entre os vários desertos da vida.
O início realmente retratava bem o nome, pois tratava de vocação, da descoberta do chamado de Deus em nossa vida. E penso que isso não se perdeu tanto, somente ganhou novos sentidos. A busca do chamado de Deus passa por um aprofundamento e conhecimento de si mesmo, de Deus, da Igreja e do próximo. É isso que busco retratar no blog, essa minha caminhada, essa descoberta do chamado de Deus.
Nos muitos anos de existência desse cantinho, o que mais me chama atenção foi que mesmo com poucas ou quase nenhuma postagem, eu sempre via visitantes, ficava super feliz, o que só prova para mim mesma o quanto o blog é parte de mim e o quanto essa partilha e esse recomeço é necessário.
Chamado de Deus

Espero mesmo que essa nova etapa não seja provisória, por isso peço, com todo coração, que comentem, compartilhem, enfim, que me ajudem a realmente fazer do meu cantinho, o nosso cantinho. Sugestões são bem vindas, críticas e elogios também. Ahhh, só pra já deixar claro, de maneira alguma o Chamado de Deus é um lugar de reflexões teológicas, cheias de razão, de provas, de argumentos científicos ou de estudiosos. Aqui é um lugar de reflexão, sem a pretensão de "catequizar" ninguém. 
Como o querido Abner Santos (você não conhece ele? Não acredito! Corre no YT e procura suas músicas. Passa no face e no instagram - @abnersantos1 - e procura também, tem frases lindas!) diz: "Escrevo para sobreviver a mim mesmo". É isso! Aqui é meu cantinho de sobrevivência.
Convido você a viver essa nova fase do Chamado de Deus comigo!

Que Deus nos abençoe!
Michi Cristina

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A Maternidade de Maria






“Junto a cruz de Jesus, estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: ‘Mulher, eis o teu filho!’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe!’ A partir daquela hora, o discípulo a acolheu no que era seu.” 
(Jo 19, 25-27)

          



Maria é aquela que acreditou, a verdadeira “Serva do Senhor”, separada desde a criação do mundo para gerar o Filho de Deus. Como mãe de Jesus, ela cuidou, acalentou, educou, ensinou, acompanhou. Conforme o Cristo ia crescendo, Maria se tornava também discípula, seguidora do próprio Filho, mas sem nunca deixar de ser mãe! Esteve presente em todos os momentos, em atitude atenta e silenciosa. É mãe que cuida, mas respeita o caminho do Seu Menino. Aos pés da Cruz estava ali, dando-lhe forças, suportando na alma tudo aquilo que o Filho suportou no corpo. É nessa trágica cena que vemos Jesus entregar sua própria mãe ao seu discípulo e, dessa forma, a cada um de nós, fazendo-nos filhos de Maria, juntamente com Ele e João. Desde esse momento a maternidade da própria Mãe de Deus se estende a toda a humanidade.
            Mesmo após a morte de Seu Filho, Maria não abandonou sua missão, continuou ao lado dos Apóstolos, como vemos em Pentecostes. E assim é até hoje. A Santíssima Virgem não abandona seus filhos, não desiste daqueles que a ela se confiam. Maria é a mãe que jamais deixa de interceder por seus filhos, Os santos garantem que não há quem tenha se confiado a Maria e tenha sido desamparado.

            Com essa segurança, peçamos a Virgem Mãe que nos ampare, guarde e nos guie pelo caminho seguro.


Com amor, no coração da Santíssima Virgem,
Michi Cristina
Escrava inútil de Jesus por Maria 
14 de Maio de 2015

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O Verão da natureza e o Verão da alma



Hoje inicia-se o verão, tempo de sol constante, de calor, de férias, de alegria! É tempo de coloridos, de luzes, de brilho. Usamos roupas frescas (lembrando que um católico sabe escolher a roupa a usar), com cores fortes e alegres, tomamos picolés, vamos à praia, à piscina, enfim, fazemos coisas únicas nessa estação.
Nas estações da nossa alma, o verão deve ser um tempo para se contemplar o brilho do grande Sol, do Cristo que é luz e calor no coração daqueles que deixam Ele fazer morada. É tempo de contemplar as flores que nasceram na primavera e aproveitarmos de suas cores e aromas, dos frutos que dali surgiram. Hora de colorir nossa vida com as cores da Eucaristia, com as cores do Evangelho. De despirmos das vestes pesadas do pecado e de revestirmo-nos da veste leve e pura da santidade, e deixar que o brilho de uma vida em Deus contagie os que estão ao nosso redor. Tempo de nos refrigerarmos com os exemplos dos santos e das sadias amizades.
Eis o momento de deixarmos nosso coração queimar pelo calor que emana do Sagrado Coração, deixar que Ele vá nos forjando com amor e alegria. Porém, temos de tomar cuidado com algumas particularidades do verão.
É comum vermos nessa época pessoas que “tiram férias” do Senhor, que deixam o calor do mundo tomar conta e afugentar o calor de Deus de dentro de si. É aí que reside o perigo! Acabamos nos perdendo por entre os coloridos que o mundo oferece, nas falsas luzes, num calor que não é verdadeiro, que não é eterno e esquecemos do verdadeiro Sol.  Não raro vemos pessoas se queimando no calor das paixões e das tentações, pessoas que, ao procurar aquecer seu coração, acabam caindo na armadilha de escolher o sol errado. Nessa época o calor das tentações é maior e, consequentemente, nosso cuidado deve ser maior ainda.
Também é comum que, ao vivenciar esse fogo abrasador, que é o Senhor, queiramos permanecer nesse calor e acabamos esquecendo de perseverar, de dar passos concretos. Achamos que podemos “construir tendas”, viver uma vida de “sentir” e esquecemos que temos de caminhar. É tempo de ver as flores que surgiram na primavera e agir a partir disso, lembrando de regar, adubar e deixar que o verdadeiro Sol continue iluminando.
O verão é uma estação que nos permite viver muitas coisas boas, desde que dosadas segundo o coração de Deus! É uma estação que requer cuidados, atenção especial, coração firmado do Senhor, nosso Sol perfeito. Se mantivermos os olhos fixos em Cristo, dificilmente o calor do mundo nos desviará do Caminho e saberemos nos lançar no oceano da misericórdia e da total entrega!
Um santo verão a todos!
Carinho e orações
Michele Cristina Pacheco
Escrava inútil de Jesus por Maria
22 de dezembro de 2014

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O Príncipe e a Rosa







“Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.” (O Pequeno Príncipe)

Nesse livro vemos a história de um Pequeno Príncipe, que morava em seu mundo juntamente com os baobás e uma rosa que lhe era muito cara. Para o Príncipe, a rosa era única no mundo, mas mesmo assim, sentia-se ferido pela vaidade e pelas grosserias da pequena rosa que, por não saber se defender, agia de modo tão triste com o menino. Cansado dessa vida, querendo descobrir o mundo e a si mesmo, deixou a pobre rosa e foi em busca de algo que nem ele mesmo sabia que encontraria.

Assim é nossa vida, nossa forma de amar as pessoas. Ora somos Princípe, ora somos Rosa. Nos machucamos com amores que não sabem nos amar e machucamos os outros por não sabermos amar. Os espinhos da vaidade, do orgulho, do ciúme, da insegurança, do medo, da imaturidade, ferem mais que os espinhos de verdade. E assim caminhamos, ferindo e sendo feridos! E por isso vemos um mundo tão desacreditado do verdadeiro amor!

Essa forma de amar, na verdade, é uma caricatura muito feia do amor verdadeiro, do amor que Deus desejou que tivéssemos desde o “Princípio”. Por nossas limitações e quedas fomos perdendo essa capacidade de amar livremente e acabamos fazendo do outro um “objeto de uso”, um depósito das nossas carências e expectativas. É gritante a quantidade de pessoas que sentem e dizem que “o amor não existe”, que deixaram de amar e de acreditar no amor por conta das feridas dos “falsos amores”. Pessoas que preferem se fechar em seu mundo, que “arrancam a rosa do seu jardim” e preferem a companhia “dos baobás”, ou seja, do pecado, das fugas, dos vícios, dos prazeres desordenados. Não digo que essas pessoas possuem culpa de fazer certas escolhas. A maioria nunca foi amada da forma correta e por isso não sabem o valor que tem.

Por esse motivo é necessário que aprendamos a amar verdadeiramente! Amor que vem do coração de Deus e que nos torna livres! O primeiro passo, acredito eu, seja reconhecer que existe um Deus que me ama acima de tudo, amor ciumento, amor que me deixa livre justamente por ser verdadeiro. Após esse primeiro passo, faz-se necessário um conhecimento sincero de si mesmo, das marcas deixadas pelos “espinhos” e das carências que carregamos, e uma escolha firme e decidida de amadurecer e aprender o que e como amar verdadeiramente. Só assim podemos caminhar rumo a um amor livre, total, fiel e fecundo, amor segundo os planos de Deus.

Nesse processo de redescobrir o amor é necessário, muitas vezes, que lutemos bravamente com nossos desejos, carências e medos. Isso porque não é fácil curar o coração de tantas e tantas marcas. Nossa pequenez vai gritar e espernear como criança pequena e mimada. Seremos provados como ouro, mas, assim como ouro, o amor que vai surgir será resistente, valioso e será reflexo do amor de Deus. 

O Príncipe teve que sair do seu planeta para aprender a amar a rosa. Do mesmo modo temos que sair de nós mesmos, nos lançando na vontade de Deus para aprendermos o que é o verdadeiro amor. Quando procuramos nos conhecer melhor, como filhos amados de Deus, também descobrimos que, não raras vezes, deixamos nosso egoismo, nosso medo, nossa carência falar mais alto e nos envolvemos em relações que nos destroem, que não vem de Deus. E no processo de reaprender a amar, nesse caminho de cura, vamos deixando Deus podar, lapidar, sarar e reformar nosso interior. Isso leva tempo, dedicação e um esforço que muitas vezes pode parecer em vão, mas que lá na frente veremos o resultado. Todo esforço fará com que percebamos que temos um valor incomparável pra Deus, valor esse que merece ser protegido e guardado como um tesouro. 

Quando descobrirmos e vivermos esse amor total, então se entregar livremente ao outro não trará dor e mágoas, mas será fonte de crescimento e de serviço ao Senhor. Os dois, unidos, servirão a Deus e aos irmãos, serão reflexo do amor de Deus por cada um. Para isso fomos criados por Deus, para sermos sinais vivos do Seu amor e da Sua bondade. Um casal que vive um amor e uma doação plena é terreno fértil para a ação do Senhor. É casa firme construída sobre a Rocha. 

O príncipe, após aprender a amar a rosa, volta e a história não conta o que acontece depois. Sinal claro de que, quando aprendemos a amar, Deus é que vai conduzir cada passo, logo não será mais necessário se preocupar, pois Ele cuida de cada detalhe. Assim, quando nós aprendemos a amar, aprendemos a depositar quem amamos no Altar do Senhor, entregamos o sentimento e o que surge dele e temos a certeza de que, o que quer que aconteça, será para a maior glória de Deus. Um coração que sabe amar, que sabe-se amado por Deus não se contenta com amores pequenos, mas quer sempre ser amado de verdade e amar verdadeiramente também. Quem sabe seu valor não se contenta com moedas brilhosas, mas sem valor.

Peçamos ao Senhor o dom de sabermos amar, ofertar esse amor e crescer na Sua Vontade!




Carinho e Orações

Michele Cristina Pacheco

Escrava inútil de Jesus por Maria

18 de Dezembro de 2014

domingo, 2 de novembro de 2014

Ser reflexo do amor de Deus

      Na nossa pequenez, às vezes esquecemos em quem devemos por nossa esperança. Nos achamos fortes, maduros, auto-suficientes, sentimos que o que já caminhamos é o suficiente para enfrentar os grandes desafios que vamos passar. Confiamos demais na nossa condição humana e esquecemos que devemos ser iguais as crianças, que não se cansam de pedir colo e proteção de quem é maior e mais forte que elas. Mesmo os com maiores caminhadas na fé, ainda tropeçam num orgulho que nos faz deixar Deus de lado, de querer “resolver tudo sozinho”. Aí já viu... Caímos com a cara no chão, nos ferimos, machucamos a nós mesmos e os que estão próximos de nós, quem amamos. Na nossa precariedade de seres humanos, ainda caímos na besteira de achar que somos fortes sozinhos.
         É hora de acordar dessa vida de quedas mal arrependidas, de esbanjar uma santidade que não existe, uma fortaleza que nada mais é do que o reflexo da nossa miséria. Só podemos ser fortes se o nosso coração está enraizado no coração de Deus, se nossos olhos estiverem tão fixos no Senhor que, para que algo chame nossa atenção, esta deva estar também fixa em Jesus. Se queremos chegar ao céu, se queremos a santidade, toda nossa vida deve ser uma constante busca daquilo que Deus sonhou pra nós. Nossas amizades, amores, relacionamentos, nosso trabalho, escola, família, enfim, tudo deve estar fixo em Cristo, tendo Ele como início, meio e fim de cada coisa. Não dá mais pra viver com um pé no mundo e outro em Deus, ser santo exige mais, exige dar tudo pelo Tudo, como já dizia São João da Cruz. Dar tudo pelo Amado é reconhecer-nos pecadores e necessitados da Sua profunda misericórdia, é mergulhar nesse mistério que é o Seu seguimento, é nos transformarmos em quem Deus nos criou pra ser. Aceitar-nos frágeis, fracos, cheios de limites e imperfeições. Aceitar-nos como pessoa capaz de ser melhor, repleta do Amor, morada do Espírito Santo.
         Não é fácil assumir nossas limitações, nem lutarmos para sermos melhores. Seria mais cômodo nos contentarmos com a pouca vida que temos, com o nada, com a ilusão que o mundo oferece. Mas tenho certeza que não é isso que você quer. Tenho certeza que não é isso que eu quero! Quero o difícil, pois ele me levará ao Senhor, quero sofrer, se for preciso, para, um dia, contemplar a face de Deus em mim. Quero saber amar a Deus e aos irmãos para assim ser espelho da beleza de Deus para os que necessitam. Quero restaurar o que está borrado em mim, estragado pelos erros e pecados, pela vergonha de assumir que sou pecadora. Quero, um dia, estar tão próxima de Deus, que o viver Dele será o meu, que o querer Dele será o meu. Enfim, quero mergulhar no Amor para, assim, aprender a viver, para transpassar a superfície do meu querer e só querer o que o Senhor quiser!
         Dá-me a graça, Senhor, de abominar o pecado em mim e dai-me coragem para ir além do que é confortável, do cômodo, do exterior. Dá-me, Senhor, um coração novo, que possa refletir somente a Ti!





Sou reflexo do Teu amor
E espelho da Tua beleza, Senhor!
Nem as limitações ou minhas imperfeições
me impedirão de contemplar a Tua face em mim
Sou reflexo do Teu amor
E espelho da Tua beleza, Senhor!
Nem as limitações ou minhas imperfeições
me impedirão de contemplar a Tua face em mim
O Teu olhar em meu olhar, restaura as pinturas que borrei
Os erros que cometi, o rosto escondido, entre as marcas que deixei
O Teu viver em meu viver, me ensina como agir pra transpassar a superfície
Ir além do meu querer e mergulhar em teu amor, no teu amor
Nem as limitações ou minhas imperfeições
me impedirão de contemplar a Tua face em mim
Sou reflexo do Teu amor
E espelho da Tua beleza, Senhor!
(Abner Santos)

Carinho e orações
Michele Cristina Pacheco
Escrava inútil de Jesus por Maria

01.11.14 – Solenidade de Todos os Santos

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Primavera do tempo e Primavera de Deus



Primavera, manhã tão clara! Cada flor, no seu momento, devido tempo, brotará...” (Primavera – Kennia)




Eis o momento tão esperado por alguns. A primavera chegou e com ela toda a beleza das flores e dos frutos. Parece que os pássaros cantam mais bonito, o sol brilha, o céu fica mais azul. Estação repleta de belezas que nos recordam o Criador, tempo de fazer brotar o que no inverno estava oculto. Isso no tempo da Terra, isso dentro de nós.
Na nossa Primavera espiritual percebemos que o inverno, tão duro e frio, gerou flores e frutos que agora embelezam nossa vida. Algumas flores já esperadas e outras que surgem sem que planejássemos. Sementes que nós plantamos e semente que Deus plantou em nós na sua infinita discrição florescem em nosso jardim nos apresentando novos sonhos e novos projetos. Também os antigos renascem e aproveitam essa época para se fortificarem e amadurecerem dentro de nós. É o momento do novo, do eterno novo que encontramos em Cristo, momento de descobrir as flores aqui em nós e de regarmos o jardim.
Por vezes a chuva e o frio ainda vêm, o inverno dá uma leve espiada no tempo da primavera, mas só para recordar que as estações não acontecem sozinhas, mas dependem uma da outra para ser o que são. Nossa vida não pode ser uma eterna primavera, assim como não se pode parar no inverno nem em qualquer outra estação.
Cada coisa tem seu tempo determinado por Deus, tanto na natureza quanto na nossa vida espiritual. É o que nos ensina as Escrituras:

“Tudo tem seu tempo. Há um momento oportuno para tudo o que acontece debaixo do céu. Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher a planta. Tempo de matar e tempo de salvar; tempo de destruir e tempo de construir. Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar e tempo de dançar. Tempo de atirar pedras e tempo de as amontoar; tempo de abraçar e tempo de separar. Tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de esbanjar. Tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar. Tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.
Que proveito tira o trabalhador de seu esforço? Observei a tarefa que Deus impôs aos homens, para que nela se ocupassem. As coisas que ele fez são todas boas no tempo oportuno. Além disso, ele dispôs que fossem permanentes; no entanto o homem jamais chega a conhecer o princípio e o fim da ação que Deus realiza.”
(Eclesiastes 3,1-11)

         Nem sempre entendemos o tempo de Deus. Queremos que a primavera seja no verão, que não exista outono e inverno. Queremos que nosso coração seja sempre aquecido de consolações e alegrias e esquecemos que é necessário que as folhas caiam, necessário a poda, para que a planta se fortifique. Esquecemos que só existe calor porque existe frio. Na nossa vida espiritual esquecemos que o tempo de Deus é diferente do nosso, que o inverno é necessário e é nele que aprofundamos a nossa fé. A primavera é boa, sim, mas não existiria se não fosse precedida pelo frio e pela chuva que nutre a terra do nosso coração.
         Nesse novo tempo de Deus, nessa primavera, aproveitamos os novos sonhos, o novo impulso que o coração tem ao ver as flores de Deus nascendo em nós. Caminhamos alegremente, com nova disposição, novo ânimo para encarar os desafios e nos prepararmos para o verão de Deus. As estações nos ensinam a esperar o tempo certo, a não apressar o tempo de Deus, pois é no Seu tempo que amadurecemos e damos frutos.
         Peçamos ao Senhor o dom de saber aproveitar cada estação da nossa alma, cada momento. E que saibamos acolher e sonhar os sonhos de Deus em nossa vida, para nos tornarmos o jardim que Ele sonhou.

Carinho e orações,
Michele Cristina Pacheco
Escrava inútil de Jesus por Maria
26 de setembro de 2014


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Tu me seduzes, Senhor!

“Tu me seduzistes, Senhor, e eu me deixei seduzir! Foste mais forte do que eu e me subjugaste!
Tornei-me a zombaria de todo dia, todos se riem de mim. Sempre que abro a boca é para protestar! Vivo reclamando da violência e da opressão! A palavra de Deus tornou-se para mim vergonha e gozação todo dia.
Pensei: ‘Nunca mais hei de lembrá-lo, não falo mais em seu nome!’ Mas parecia haver um fogo a queimar-me por dentro, fechado em meus ossos. Tentei agüentar, não fui capaz.”
(Jeremias 20, 7-9)

               
  Há alguns anos atrás (dois, se bem me lembro) aconteceu aqui na minha cidade uma tarde vocacional promovida pela comunidade de vida que morava aqui, Comunidade Nova Aliança. Eu estava, para variar, numa das minhas crises de negação em aceitar a vontade de Deus na minha vida. Eu sabia o que Ele me pedia, mas não queria aceitar, não queria assumir isso em mim, achava que poderia mudar a vontade Dele, mudar os sonhos que Ele tinha para mim. Fui a esse encontro sem vontade alguma, fechada, já me preparando para dizer não a qualquer coisa que o Senhor me inspirasse. Como a comunidade onde aconteceu o encontro não era grande, o mesmo foi feito dentro da igreja. Sentei-me bem em frente do Sacrário, cara a cara com Jesus. Lembro bem desse dia, de tão forte que foi a experiência que contarei.
                O encontro começou, e a primeira pregação foi sobre a vida leiga. Ok, não prestei muita atenção por já travar uma batalha interior com o Senhor que gritava dentro de mim. Antes do inicio da segunda pregação, olhei para o Sacrário e disse a frase que nunca imaginei dizer: “Não quero, Senhor, seguir a sua vontade, não quero e não vou abrir mão da minha vida pra cumprir o que o Senhor quer. Vou te servir, mas quieta no meu canto, não quero mais mudanças na minha vida. Se o Senhor realmente quiser que eu cumpra o Seu chamado, terás que me obrigar!” Eu disse isso com uma certeza tão grande de que Ele me deixaria quieta, afinal eu tinha dado uma resposta, tinha dado o meu “não” a Ele, consciente do que isso significava. Veio a segunda pregação e com ela a resposta de Deus. A primeira coisa que o rapaz fez foi ler essa passagem, e, enquanto ele lia, em meu coração se cumpria aquilo que o profeta Jeremias escreveu. Um fogo queimava-me por dentro, tão forte que até para respirar era complicado. Um fogo que, assim como diz na passagem queimava por dentro dos meus ossos, daquilo que me sustentava, da minha falsa certeza de ter poder de me recusar a Deus. Foi algo que por mais que tente explicar, não há como, de tão intenso e interior que foi. Só sei dizer que não prestei atenção em mais nada, a batalha acontecia dentro de mim e minha resistência só me fazia sofrer sem razão, pois obviamente o Senhor ganharia. Na minha infinita teimosia ainda tentava resistir quando, por algum motivo que desconheço, o rapaz que pregava pediu para cantarem essa música:

Seduziste-me Senhor, e eu me deixei seduzir
Dominaste o meu ser e tiveste o triunfo
Bem que eu tentei relutar, os Teus planos rejeitar

Mas seduziste-me Senhor, o Teu Amor foi bem mais forte
Penetrou meu coração, quero viver só pra Te amar

É por amor que venho Te adorar
É por amor que quero me entregar a Ti
É por amor que quero Tua vontade
É por amor que hoje estou aqui

Mas ao provar da Tua Cruz eu quis desistir
Quando provei da Tua dor, de Ti eu quis fugir
Bem que eu tentei relutar, os Teus planos rejeitar

Mas seduziste-me Senhor, o Teu Amor foi bem mais forte
Penetrou meu coração, quero viver só pra Te amar

É por amor que venho Te adorar
É por amor que quero me entregar a Ti
É por amor que quero Tua vontade
É por amor que hoje estou aqui

Deus, Tu és Santo, vencedor
Ó Deus, tira de mim todo temor
Ó Deus, vou te seguir mesmo na dor
Ó Deus, dou minha vida por amor

                Não teve como não entender que não adiantava eu resistir, que só iria me machucar e machucar aqueles a minha volta. Deus me falava claramente que eu, Michele, não tinha escolha, Ele me amava e ama tanto que não desistiria de mim, e do que Ele sabia ser o que eu precisava viver. Ele não ia contra a minha liberdade, apenas me lembrava que toda escolha tem conseqüências e que Ele lutaria até o fim por mim. E essa confirmação veio quando, ao final dessa pregação, se não me engano, o rapaz leu outra passagem:

“Pois és muito precioso para mim, e mesmo que seja alto o teu preço, é a ti que eu quero!
Para te comprar, eu dou, seja quem for; entrego nações, pra te conquistar!
Não tenhas medo, estou contigo!” (Isaías 43, 4-5)

                Depois disso nem tentei lutar mais, o que sentia era um misto de um sentir-se profundamente e incomparavelmente amada por Deus e um esgotamento por tentar lutar contra isso. Na época, entendi que o Senhor me chamava a uma determinada vocação, vocação que tentei fugir durante quase seis anos. Resolvi fazer a experiência de dizer meu SIM total a Ele, a viver essa vocação. E assim foi durante um ano e três meses, tempo em que o Senhor usou para me fazer crescer na fé, na vida pessoal e no entendimento do que Ele me pedia. Como aprendi a me abrir para acolher a vontade Dele na minha vida, aceitei, mesmo sem entender muito, que essa não era minha vocação.
                Claro que os questionamentos ficaram. Por que me enviar tantos sinais, em especial nesse dia que contei, se não era essa a vontade Dele? Por que essa batalha tão grande se no final acabaria por voltar ao mesmo lugar de onde saí? Mesmo tendo certeza de que fiz a escolha certa, as perguntas ficaram.
                Hoje, ao ver essa leitura na missa, ao proclamá-la, senti que Deus me falaria algo novamente por ela. E a resposta foi clara e tão delicada que as lágrimas não resistiram em cair. Ele precisava me seduzir, precisava que eu fosse até lá para aprender a ser totalmente Dele, a não oferecer mais resistências, a esperar o Seu tempo, respeitar os Seus meios. Se hoje eu estou preparada pra enfrentar muita coisa é porque tive a oportunidade de viver esse tempo que Ele me proporcionou.
                Deus tem os meios dele de nos conduzir por seus caminhos, pra nos levar até a Sua vontade. Às vezes não entendemos, não aceitamos, fugimos e sofremos. Mas, no fundo, sabemos que de nada adianta resistir a Deus tão bondoso. Como dizer “não” a amor tão grande que não desiste de nós? Como fugir de um amor que é tão grande a ponto de morrer por nós na Cruz?
                Sim, Ele me seduziu, eu me deixei seduzir e agora não tenho outro desejo se não amar a Deus em cada momento, em cada passo. Desejo de cumprir Sua vontade em minha vida, seja ela qual for. Desejo de ir até o fim do mundo se for preciso para realizar os planos de Deus em minha vida. Não me importo em esperar, em sofrer, em chorar, em me alegrar, em carregar a minha cruz, pois sei que Ele me ama acima de tudo isso e me sustentará a cada passo, a cada dia, a cada sim que, na minha condição fraca de ser humano, eu conseguir dar. E peço a Ele que continue a ser esse fogo abrasador que ainda queima aqui dentro de mim, me lembrando que a Ele pertenço e que a santidade é o meu destino.

Com carinho e orações
Michele Cristina Pacheco
Escrava inútil de Jesus por Maria

31 de agosto de 2014

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Minha Emaús


       Minha Emaús ganha cores novas, ganha lugar novo. Minha Emaús tem as cores da Bahia, tem o som bonito do sotaque de um povo que luta para fazer o melhor pra Deus. É verde, amarela e vermelha, é casa, comunidade e padroeiro. É abraço que cura qualquer dor, é olhar que me faz sentir segura. É companhia até tarde, é mão segura a me mostrar o caminho certo. O Cristo que caminha comigo é Cristo Operário, que vai bordando e cantando na minha vida a Sua vontade. E não são dois discipulos somente, são "duas em uma" que caminham rumo ao céu. É risada sadia, choro que cura, amor puro e forte. 
      Minha aldeia tem cara de festa, de alegria. Tem som goxxtoso que me faz rir. Tem uma risada que em nenhum lugar encontrei, exagero que me faz rir. Tem gosto de melancia, de carinho, de felicidade. Tem tropeços e recomeços, tem tristezas, mas tem mais alegria. Tem corujas, amarelos e coloridos. Tem violão, tamborim e meia lua. Tem cor, sabor e som de felicidade. Tem mais abraços e risos. Tem xeru e sorrisos, tem preces, conversas e abrigos. 
      Minha estalagem tem porto seguro, tem coração disparado, tem aperto também. Tem comida gostosa, tem aprendizado diário, tem café e tem fé. Tem linhas e formas, tons e sabores. Tem voz linda a embalar meus dias e a arrancar um sorriso escondido. Tem silêncio presente e coragem infinita. 
      Minha Emaús eu tive que deixar, mas ela nunca me deixará. Quem ama nunca se vai, está sempre dentro do coração, faz morada definitiva. Voltei pra Jerusalém, mas Emaús vai comigo. Lá é minha casa, nela está meu coração. Meu coração bate no mesmo compasso, dá as paradinhas necessárias e doloridas, mas tenta caminhar mesmo assim.




Esse texto saiu hoje de manhã, enquanto lembrava de tanta coisa boa. Emaús sempre foi um lugar que me transmite tudo de bom que Deus nos dá....


"Minha alma é aquela aldeia, meu amor a estalagem, Emaús, enfim, sou eu."

domingo, 6 de abril de 2014

Ser terreno fértil em Deus



Meus dedos anseiam por escrever algo que dentro do meu coração parece não mais encontrar espaço. Mas são tantos os sentimentos e pensamentos que brotam que me parece ser impossível alinhá-los de forma coerente. Deus tem feito a semente germinar dentro desse coração duro, tantas vezes como o terreno pedregoso que fala no Evangelho, mas que quer, na sua simplicidade, ser terreno fértil para ver brotar e frutificar tudo que de bom recebeu das mãos do Semeador. Aos poucos vou aprendendo e conseguindo tirar uma pedra ou outra para tornar o terreno do meu coração mais habitável. Por vezes, Deus manda outros jardineiros para me ajudar, pois sabe que na minha pequenez, desistiria se não houvesse quem cuidasse do jardim por mim, vez ou outra. É bonito pensar em quantas sementes são lançadas sem que eu veja, quantas já nasceram comigo e quantas florescem tão delicadamente que só com olhar atento consigo perceber a sua existência. E em cada uma delas vejo o amor e a bondade de Deus, que me escolheu e me amou antes e mais do que qualquer um. Os dons que me deu, os caminhos pelos quais me enviou, tudo faz parte desse cultivo do jardim do meu coração. Faz-me lembrar um trecho de uma música: “Deus me entregou bem mais do que mereço, talvez seja por isso que eu me cobre um pouco mais.” Sim, a cobrança pode ser algo positivo, quando nos leva a ser melhores, a querer ser mais pelo Tudo. E essa busca por ser melhor é justamente a busca de dar bons frutos ao Dono do jardim. Frutos esses que, se já foram colhidos pelo Jardineiro, estão espalhados nos mais diversos cantos, talvez semeando outros corações também. De qualquer maneira esses frutos não me pertencem, mas sim Àquele que os semeou.

 "A dignidade de pertencer a Deus nos obriga, por natureza, a ser diferentes" (Beato João Paulo II)

Dizer que queremos ser terrenos férteis é dizer que queremos ser santos. E para isso é preciso estar atento ao que o Evangelho nos diz, para não deixarmos nosso coração endurecer diante das “belezas” que o mundo nos apresenta. Ser santo não é ser como as imagens que vemos nas igrejas. Elas representam algo muito maior. Nos recordam pessoas que tiveram a coragem de limpar seu terreno, de torná-lo fértil, mesmo em meio a tantas vozes contrárias. Ser santo não é coisa para poucos, é uma vocação de todos nós. E, como vocação é chamado, cabe a nós respondermos dignamente a Deus. Se pertencemos a Deus temos que desejar ser diferente, ser melhor a cada dia, a cada novo amanhecer. E, por mais que não percebamos, esse desejo por ser diferente grita dentro de nós. Nosso coração anseia por pertencer totalmente a Deus, a ser livre para se aprisionar no seu Criador. Por vezes calamos esse desejo com nossos apegos, medos, pecados e inseguranças. Por vezes nos dizemos livres, donos do nosso nariz, mas estamos totalmente presos em nós mesmos, nas nossas vontades, sujando e cercando o terreno do nosso coração, deixando o Semeador de fora. De terreno fértil passamos a terreno baldio, onde o mundo joga seu lixo. É preciso coragem para limpar o terreno do nosso coração para que nele Deus possa semear as mais belas coisas. É preciso aprender a desapegar, a se abandonar, a renunciar as próprias vontades para deixar que as vontades de Deus sejam manifestadas. É preciso ter a firme decisão de ser totalmente entregue a Deus. E não pense que isso é coisa para freira e padre. É decisão de todo cristão, de todo aquele que ama verdadeiramente a Deus. É preciso que Deus seja o centro e o primeiro em toda nossa vida, seja de casado, solteiro ou celibatário. Todos somos chamados a ser terrenos férteis, a dar a vida por Deus, a deixá-lo nos semear com as mais belas coisas, com os mais belos sonhos que nascem de seu divino coração. Limpemos nosso terreno, sejamos terrenos férteis.

Com carinho e orações,
Michele Cristina Pacheco
Escrava inútil de Jesus por Maria

06 de abril de 2014

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

"Não morrerá quem soube amar..."



Jesus, Meu Deus Humano - Pe. Fábio de Melo

 

...

É... Vou tentando achar o rumo por aqui
Vou reaprendendo ser sem ter você
Descobrindo em mim o que você deixou

...
Mas nessa ausência sei que existe outra presença
Uma força que sustenta, e que me faz permanecer... de pé

É Jesus, meu Deus humano
Meu Deus humano
Que conhece a dor de ver partir a quem se ama
Que chorou de saudade
Que sofreu por seus amigos
E que esteve ao meu lado
Quando eu vi você partir

É Jesus, meu Deus humano
Meu Deus humano
Que conhece a dor de ver partir a quem se ama
Que chorou de saudade
Que sofreu por seus amigos
E que não me abandona
Quando eu não sei compreender
Por que você partiu
Por que você se foi
E porque o milagre não se deu como eu pedi

Não, eu não vou perder a fé nem desistir
Foi você que me ensinou antes de ir
Vou vivendo assim, conhecendo o coração
Que você fez pulsar em mim


 ♫ Onde reina o Amor, fraterno Amor... onde reina o Amor, Deus ali está!♫
Saudades!