domingo, 26 de julho de 2015

Pães e Peixes na minha Vida

         A partilha hoje é breve, fruto de um tempo conturbado mas produtivo.
         Prometi que haveriam mais posts aqui no blog, e como podem perceber, parei mais uma vez, sem conseguir cumprir o prometido. Os motivos foram muitos, desde doença até a correria do trabalho e da vida. 
        O que acontece é que quando algo não vai bem em mim, seja no físico, no emocional ou no espiritual, isso reflete na minha capacidade de escrever. Não sei escrever sem deixar um pouco da minha essência escorrer entre as palavras, e essa essência quase desaparece quando estou passando pelas "turbulências da vida". 
         Nada disso deveria ser desculpa para as coisas que faço. mas, felizmente, eu acho, não consigo separar o que sou do que escrevo. Quem me conhece sabe muito bem descobrir meus sentimentos através do que escrevo. Né Irmã Eliete? rsrsrs
         O que tirei de "lição" desses dias, é que ainda me falta muito confiar na Providência Divina. Ainda falta muito para meu abandono ser real, para que eu saiba passar por tudo confiando que Deus vai agir, e descansar. 
         No Evangelho da multiplicação dos pães (o Evangelho desse domingo, o 17º do Tempo Comum), Jesus nos mostra 2 atitudes que temos diante das dificuldades. Quando constatou que havia uma multidão e que precisava alimentá-los, se depara com o cálculo frio do apóstolo que pensa em quanto gastaria financeiramente para alimentar a multidão. Quantas vezes já decretamos como impossível algo porque pensando friamente descobrimos que exigiria mais do que nós somos capazes?
         A segunda atitude vem com o outro apóstolo, que apresenta o fato de que há um menino que têm pães e peixes, mas deixa-se vencer pelo desanimo ao acreditar que não conseguiria alimentar a multidão com somente aquilo. Quantas vezes nós até vemos uma possível solução, mas nos desmotivamos por pensar que nosso problema é maior do que a solução?
         E por fim Jesus nos mostra a confiança e a prudência do menino. Ele não esperou que os pães caíssem do céu, mas garantiu sua alimentação naquele período. Ele nos ensina que confiar em Deus não é "cruzar os braços" e esperar que Deus faça tudo, mas confiar que, se faço a minha parte, Deus cuida do restante. O menino nos ensina também que o abandono em Cristo significa entregar o que temos de mais precioso, aquilo que pode salvar nossa vida (lembremos que o menino poderia negar de entregar os pães e os peixes, alegando que eram para sua sobrevivência). Ele confia tanto na Providência Divina que sabe que Jesus jamais o deixaria perecer e assim doa o seu pouco acreditando que o Filho de Deus transformaria em muito.
         Confiar na Providência Divina não é fácil... Nossa fraqueza insiste em nos conduzir ao individualismo, ao querer resolver tudo com "as próprias mãos", se esquecendo que Jesus é o Deus do impossível. 
         Quem eu quero ser dentro das 3 opções que o Evangelho propõe? Quem eu tenho sido?

Que Deus nos abençoe!
Michele Cristina

sábado, 20 de junho de 2015

O Semeador e a pequena semente

         Não sei se já aconteceu com alguém aqui, mas sabe quando você acorda com um trecho de uma música fixa na sua cabeça? Então, foi o que ocorreu comigo na manhã de domingo. Foi como se o que tivesse me despertado tivesse sido justamente esse trecho: "Se Eu não te enxertar em Mim, sua busca não terá fim..."
         Pra quem não conhece, é um trecho da música "Sementes" do Dunga. Bom, eu acordei e fiquei com essa música martelando minha cabeça. Lembrei do restante e isso me fez rezar mesmo sem perceber.
Qual foi a minha surpresa quando na Santa Missa o Evangelho era justamente a passagem do "semeador"! Nossa, lembrei na hora do ocorrido de manhã. Ainda pra completar, o casal de músicos que animava a Missa, tocou uma das músicas da minha primeira comunhão. Aí sim, a lança foi fincada com força nesse peito bobo. 
         Fiquei querendo descobrir o que Deus quis dizer a mim diante disso tudo. Eu sei... É o trecho da música que precede o que me acordou... "Tenho visto você procurar um lugar pra se encaixar, percebo que não consegue ser feliz. Se Eu não te enxertar em mim sua busca não terá fim."
         Não vou dizer que estou infeliz, ao contrário, tenho me sentido feliz com a minha vida. Porém, ainda não é a felicidade que o Senhor sonhou pra mim. Sei que é complicado pra muitos entenderem isso, e pra mim também é um pouco, mas vou tentar explicar. Deus nos chama a uma felicidade plena, mesmo com tribulações. Quando encontrarmos essa felicidade, nem mesmo os problemas e as situações poderão nos abalar. Agora, Deus é tão bom que mesmo antes de encontrarmos essa felicidade, Ele nos deixa experimentar dela em diversos momentos. Mas esses momentos passam e aquela sensação de "ainda não achei meu lugar" fica.
         Às vezes é falta de achar o lugar mesmo, porém muitas vezes é falta de abandono, de se entregar a Deus. Ele, que é o semeador, sabe em qual solo daremos mais frutos, seremos mais completos. Mas mesmo que estejamos no "lugar" certo ainda vai faltar algo, vai faltar que nos deixemos enxertar no coração de Cristo, que busquemos tirar as ervas daninhas que sufocam nossa semente.
         E é nesse sentido que venho dizer... Se eu não deixar Deus me enxertar nele, posso passar a vida toda atrás da felicidade que não a encontrarei.
         Durante essa semana fiquei pensando nisso e ontem (sexta) me confessei com o propósito de deixar meu coração nas mãos de Deus para que Ele me plante onde for melhor. É esse o meu maior desejo, ser uma pequena semente nas mãos do meu Semeador.
         E o seu desejo, qual é? Sua semente já está nas mãos do Semeador?

Que Deus nos abençoe
Michele Cristina

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Que lugar Jesus ocupa em sua vida?

Isso tem me trazido muitas reflexões...
Porque é fácil dizer que Jesus é o Senhor da minha vida, mas não fazer nada para corresponder a esse amor, ou só fazer aquilo que é fácil, agradável e que não me pede nada em troca.
Que difícil é encontrar as pessoas que se dizem toda de Deus (e muitas vezes me incluo nessas) quando se precisa acordar de madrugada, sair da zona de conforto, deixar os apegos, etc! Espanta-me como nós temos a mania de achar que Jesus só precisa do nosso amor e não do nosso sacrifício.
Quem encontra o verdadeiro amor deseja só viver para ele. E nós dizemos que O encontramos, porém não deixamos os amores antigos de lado. Claro que ninguém é obrigado a se enclausurar num mosteiro, nem deixar de lado tudo que fazia. Mas vamos combinar que tem atitudes e coisas que não condizem com uma pessoa que assumiu verdadeiramente amar a Jesus. E lá no fundo do nosso interior sabemos o que é que ainda não deixamos pra seguir o Mestre. Quem sabe são algumas amizades, alguns apegos, algumas manias, alguns hábitos... Enfim, acho que durante essa reflexão algo veio a sua mente. 
-Ah, mas eu não vou deixar de fazer isso ou aquilo, Jesus me entenderá.
Claro que entenderá, mas será que isso significa que amamos por completo? Tenho certeza que não. 
O mais estranho é que, quanto mais apegados estamos a nós mesmos, mais achamos ser o senhor da razão, aquele que sabe e pode falar dos erros dos outros. É fácil achar defeito no irmão enquanto não queremos ver os nossos. Isso também mostra que não estamos totalmente entregues ao Senhor, pois quem ama quer também se parecer com o amado, e Jesus não fica apontado o defeito do próximo.
Sabe, tudo o que estou escrevendo aqui é para mim também. Quantas vezes sou hipócrita a ponto de criticar o que o outro fala, mas não gostar quando fazem o mesmo comigo, ou na vontade de ser aquilo que não sou, julgo justamente o comportamento que tenho.
Não há uma formula mágica para sermos diferentes. O que existe são milhares de exemplos de santos e santas que souberam se desapegar e amar a Jesus de todo o coração. Não nos enganemos achando que o caminho é fácil e cômodo, mas tenhamos a certeza que vale a pena amar Jesus de todo coração.
É chegado o momento de darmos um basta, de jogarmos fora as máscaras que ainda usamos e que desfiguram a verdadeira face de Cristo em nós! É hora de decisão corajosa pela verdade, da escolha fiel e sincera pelo Amor, com suas responsabilidades, alegrias e renúncias. Só assim poderemos dizer que amamos a Cristo de todo coração!

Que Deus nos abençoe!
Michi Cristina

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Entrega total de si

     Nessa semana após Pentecostes, as leituras me fizeram refletir muito. São passagens que nos levam a repensar como está nossa relação com o Senhor. Até Pentecostes as leituras nos preparavam para a grande descida do Espírito Santo, onde realmente começa a missão dos Apóstolos. Para nós esse tempo também é o momento de renovarmos o nosso SIM, a nossa entrega. As leituras do início da semana nos falam das renúncias que são necessárias e que apegos não são bem vindos quando se trata de seguir o Senhor. Quantas vezes pensamos seguir tudo o que nos pede a Igreja, mas esquecemos que nosso coração é apegado ao dinheiro, aos bens, às pessoas. Somos como o jovem que aparece no Evangelho de Marcos (10, 17-27), queremos seguir Jesus, mas não queremos deixar tudo para trás. O problema não está em ter bens, mas em amar mais esses bens que ao Senhor a ponto de colocar empecilhos no seu seguimento.
        Outro ponto importante dos Evangelhos dessa semana está em que não podemos servir querendo recompensa. A livre entrega consiste em tudo dar em nada esperar em troca, nem bens, nem glória, nem fama, nem amigos, nem nada em recompensa. É ter a certeza que a vida será de lutas, perseguições e conquistas, mas tudo isso para a glória de Deus. A doação total de si mesmo é o maior ato de amor que podemos ter com Jesus. “Deixamos tudo e te seguimos” (Mc 10, 28-31), nada é nosso, a nada somos apegados, diferente do exemplo do parágrafo anterior. Porém, nada adianta tudo deixar se esperamos recompensa.
         É o que Tiago e João queriam (Mc 10, 32-45), o melhor lugar no Reino dos Céus, pois aqui na terra serviram ao Filho de Deus. Jesus é claro ao dizer que ser servo é a atitude que os seus seguidores devem ter. Servir, amar, se doar pelo irmão, por aquele que necessita de nós. E a recompensa? Um verdadeiro servo não busca recompensa, mas somente agradar o Senhor.
           Só podemos ter essa doação total, essa vida de servidão, se tivermos uma fé sólida, firme, como a de Bartimeu (Mc 10, 46-52). Diferente do que muitos de nós fazemos, que ficamos a “beira do caminho”, cruzando nossos braços e esperando que Jesus venha curar nossas feridas, Bartimeu foi audacioso, corajoso e não deixou de acreditar que, se suplicasse, Jesus o atenderia. Sua fé foi tanta que ele não pediu ao Cristo um “trocadinho”, um pouco de comida ou uma bengala, mas sim sua cura, “que eu veja”. Quantas vezes deixamos que nossos apegos nos ceguem, nos deixem sentados, sem ver o Senhor passar, sem confiar o suficiente para deixarmos tudo?
            Quando ficamos como que cegos, acabamos deixando morrer a fé em nós, pois os apegos e as seduções do mundo acabam por nos impedir de dar frutos. Quais são os frutos que o Senhor espera de nós? Como temos correspondido? Será que somos como essa figueira (Mc 11, 11-26) que por não produzir mais frutos, por não ter mais vida, seca e se destrói ou somos como o Bartimeu, que sabia da sua pequenez, das suas limitações, mas resolveu depositar tudo o que tinha nas mãos do Senhor, confiando que Ele faria o que fosse o melhor? Como está nossa relação com os apegos, com os bens materiais? Será que amamos a Cristo mais que às coisas e às pessoas ou para Jesus só sobra aquilo que não me pesa, não me custa?

            Rogo ao Senhor que faça o meu e o seu coração um coração totalmente livre. Livre para se doar naquilo que for o Chamado de Deus na minha e na sua vida.

Que Deus nos abençoe!
Michi Cristina

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Recomeço

Olá povo amado de Deus!

Saudade de estar aqui no nosso cantinho!

Estava sumida há tempos, né?  Então, tanta coisa aconteceu nesse tempo que nem tem como explicar pra você em um post. Mas quero hoje me comprometer com vocês a estar sempre por aqui, buscando o Chamado de Deus com vocês.
O Chamado de Deus foi um espaço que eu criei para expressar meus pensamentos, aquilo que eu gostava, sentia, etc. E assim como eu fui mudando, ele foi mudando também. Passou por fases bem formativas, outras quase sem postagens, por ser épocas em que eu precisava me dedicar mais a minha vida espiritual ou então por serem momentos sem alguma inspiração, entre os vários desertos da vida.
O início realmente retratava bem o nome, pois tratava de vocação, da descoberta do chamado de Deus em nossa vida. E penso que isso não se perdeu tanto, somente ganhou novos sentidos. A busca do chamado de Deus passa por um aprofundamento e conhecimento de si mesmo, de Deus, da Igreja e do próximo. É isso que busco retratar no blog, essa minha caminhada, essa descoberta do chamado de Deus.
Nos muitos anos de existência desse cantinho, o que mais me chama atenção foi que mesmo com poucas ou quase nenhuma postagem, eu sempre via visitantes, ficava super feliz, o que só prova para mim mesma o quanto o blog é parte de mim e o quanto essa partilha e esse recomeço é necessário.
Chamado de Deus

Espero mesmo que essa nova etapa não seja provisória, por isso peço, com todo coração, que comentem, compartilhem, enfim, que me ajudem a realmente fazer do meu cantinho, o nosso cantinho. Sugestões são bem vindas, críticas e elogios também. Ahhh, só pra já deixar claro, de maneira alguma o Chamado de Deus é um lugar de reflexões teológicas, cheias de razão, de provas, de argumentos científicos ou de estudiosos. Aqui é um lugar de reflexão, sem a pretensão de "catequizar" ninguém. 
Como o querido Abner Santos (você não conhece ele? Não acredito! Corre no YT e procura suas músicas. Passa no face e no instagram - @abnersantos1 - e procura também, tem frases lindas!) diz: "Escrevo para sobreviver a mim mesmo". É isso! Aqui é meu cantinho de sobrevivência.
Convido você a viver essa nova fase do Chamado de Deus comigo!

Que Deus nos abençoe!
Michi Cristina

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A Maternidade de Maria






“Junto a cruz de Jesus, estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: ‘Mulher, eis o teu filho!’ Depois disse ao discípulo: ‘Eis a tua mãe!’ A partir daquela hora, o discípulo a acolheu no que era seu.” 
(Jo 19, 25-27)

          



Maria é aquela que acreditou, a verdadeira “Serva do Senhor”, separada desde a criação do mundo para gerar o Filho de Deus. Como mãe de Jesus, ela cuidou, acalentou, educou, ensinou, acompanhou. Conforme o Cristo ia crescendo, Maria se tornava também discípula, seguidora do próprio Filho, mas sem nunca deixar de ser mãe! Esteve presente em todos os momentos, em atitude atenta e silenciosa. É mãe que cuida, mas respeita o caminho do Seu Menino. Aos pés da Cruz estava ali, dando-lhe forças, suportando na alma tudo aquilo que o Filho suportou no corpo. É nessa trágica cena que vemos Jesus entregar sua própria mãe ao seu discípulo e, dessa forma, a cada um de nós, fazendo-nos filhos de Maria, juntamente com Ele e João. Desde esse momento a maternidade da própria Mãe de Deus se estende a toda a humanidade.
            Mesmo após a morte de Seu Filho, Maria não abandonou sua missão, continuou ao lado dos Apóstolos, como vemos em Pentecostes. E assim é até hoje. A Santíssima Virgem não abandona seus filhos, não desiste daqueles que a ela se confiam. Maria é a mãe que jamais deixa de interceder por seus filhos, Os santos garantem que não há quem tenha se confiado a Maria e tenha sido desamparado.

            Com essa segurança, peçamos a Virgem Mãe que nos ampare, guarde e nos guie pelo caminho seguro.


Com amor, no coração da Santíssima Virgem,
Michi Cristina
Escrava inútil de Jesus por Maria 
14 de Maio de 2015

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O Verão da natureza e o Verão da alma



Hoje inicia-se o verão, tempo de sol constante, de calor, de férias, de alegria! É tempo de coloridos, de luzes, de brilho. Usamos roupas frescas (lembrando que um católico sabe escolher a roupa a usar), com cores fortes e alegres, tomamos picolés, vamos à praia, à piscina, enfim, fazemos coisas únicas nessa estação.
Nas estações da nossa alma, o verão deve ser um tempo para se contemplar o brilho do grande Sol, do Cristo que é luz e calor no coração daqueles que deixam Ele fazer morada. É tempo de contemplar as flores que nasceram na primavera e aproveitarmos de suas cores e aromas, dos frutos que dali surgiram. Hora de colorir nossa vida com as cores da Eucaristia, com as cores do Evangelho. De despirmos das vestes pesadas do pecado e de revestirmo-nos da veste leve e pura da santidade, e deixar que o brilho de uma vida em Deus contagie os que estão ao nosso redor. Tempo de nos refrigerarmos com os exemplos dos santos e das sadias amizades.
Eis o momento de deixarmos nosso coração queimar pelo calor que emana do Sagrado Coração, deixar que Ele vá nos forjando com amor e alegria. Porém, temos de tomar cuidado com algumas particularidades do verão.
É comum vermos nessa época pessoas que “tiram férias” do Senhor, que deixam o calor do mundo tomar conta e afugentar o calor de Deus de dentro de si. É aí que reside o perigo! Acabamos nos perdendo por entre os coloridos que o mundo oferece, nas falsas luzes, num calor que não é verdadeiro, que não é eterno e esquecemos do verdadeiro Sol.  Não raro vemos pessoas se queimando no calor das paixões e das tentações, pessoas que, ao procurar aquecer seu coração, acabam caindo na armadilha de escolher o sol errado. Nessa época o calor das tentações é maior e, consequentemente, nosso cuidado deve ser maior ainda.
Também é comum que, ao vivenciar esse fogo abrasador, que é o Senhor, queiramos permanecer nesse calor e acabamos esquecendo de perseverar, de dar passos concretos. Achamos que podemos “construir tendas”, viver uma vida de “sentir” e esquecemos que temos de caminhar. É tempo de ver as flores que surgiram na primavera e agir a partir disso, lembrando de regar, adubar e deixar que o verdadeiro Sol continue iluminando.
O verão é uma estação que nos permite viver muitas coisas boas, desde que dosadas segundo o coração de Deus! É uma estação que requer cuidados, atenção especial, coração firmado do Senhor, nosso Sol perfeito. Se mantivermos os olhos fixos em Cristo, dificilmente o calor do mundo nos desviará do Caminho e saberemos nos lançar no oceano da misericórdia e da total entrega!
Um santo verão a todos!
Carinho e orações
Michele Cristina Pacheco
Escrava inútil de Jesus por Maria
22 de dezembro de 2014

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O Príncipe e a Rosa







“Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.” (O Pequeno Príncipe)

Nesse livro vemos a história de um Pequeno Príncipe, que morava em seu mundo juntamente com os baobás e uma rosa que lhe era muito cara. Para o Príncipe, a rosa era única no mundo, mas mesmo assim, sentia-se ferido pela vaidade e pelas grosserias da pequena rosa que, por não saber se defender, agia de modo tão triste com o menino. Cansado dessa vida, querendo descobrir o mundo e a si mesmo, deixou a pobre rosa e foi em busca de algo que nem ele mesmo sabia que encontraria.

Assim é nossa vida, nossa forma de amar as pessoas. Ora somos Princípe, ora somos Rosa. Nos machucamos com amores que não sabem nos amar e machucamos os outros por não sabermos amar. Os espinhos da vaidade, do orgulho, do ciúme, da insegurança, do medo, da imaturidade, ferem mais que os espinhos de verdade. E assim caminhamos, ferindo e sendo feridos! E por isso vemos um mundo tão desacreditado do verdadeiro amor!

Essa forma de amar, na verdade, é uma caricatura muito feia do amor verdadeiro, do amor que Deus desejou que tivéssemos desde o “Princípio”. Por nossas limitações e quedas fomos perdendo essa capacidade de amar livremente e acabamos fazendo do outro um “objeto de uso”, um depósito das nossas carências e expectativas. É gritante a quantidade de pessoas que sentem e dizem que “o amor não existe”, que deixaram de amar e de acreditar no amor por conta das feridas dos “falsos amores”. Pessoas que preferem se fechar em seu mundo, que “arrancam a rosa do seu jardim” e preferem a companhia “dos baobás”, ou seja, do pecado, das fugas, dos vícios, dos prazeres desordenados. Não digo que essas pessoas possuem culpa de fazer certas escolhas. A maioria nunca foi amada da forma correta e por isso não sabem o valor que tem.

Por esse motivo é necessário que aprendamos a amar verdadeiramente! Amor que vem do coração de Deus e que nos torna livres! O primeiro passo, acredito eu, seja reconhecer que existe um Deus que me ama acima de tudo, amor ciumento, amor que me deixa livre justamente por ser verdadeiro. Após esse primeiro passo, faz-se necessário um conhecimento sincero de si mesmo, das marcas deixadas pelos “espinhos” e das carências que carregamos, e uma escolha firme e decidida de amadurecer e aprender o que e como amar verdadeiramente. Só assim podemos caminhar rumo a um amor livre, total, fiel e fecundo, amor segundo os planos de Deus.

Nesse processo de redescobrir o amor é necessário, muitas vezes, que lutemos bravamente com nossos desejos, carências e medos. Isso porque não é fácil curar o coração de tantas e tantas marcas. Nossa pequenez vai gritar e espernear como criança pequena e mimada. Seremos provados como ouro, mas, assim como ouro, o amor que vai surgir será resistente, valioso e será reflexo do amor de Deus. 

O Príncipe teve que sair do seu planeta para aprender a amar a rosa. Do mesmo modo temos que sair de nós mesmos, nos lançando na vontade de Deus para aprendermos o que é o verdadeiro amor. Quando procuramos nos conhecer melhor, como filhos amados de Deus, também descobrimos que, não raras vezes, deixamos nosso egoismo, nosso medo, nossa carência falar mais alto e nos envolvemos em relações que nos destroem, que não vem de Deus. E no processo de reaprender a amar, nesse caminho de cura, vamos deixando Deus podar, lapidar, sarar e reformar nosso interior. Isso leva tempo, dedicação e um esforço que muitas vezes pode parecer em vão, mas que lá na frente veremos o resultado. Todo esforço fará com que percebamos que temos um valor incomparável pra Deus, valor esse que merece ser protegido e guardado como um tesouro. 

Quando descobrirmos e vivermos esse amor total, então se entregar livremente ao outro não trará dor e mágoas, mas será fonte de crescimento e de serviço ao Senhor. Os dois, unidos, servirão a Deus e aos irmãos, serão reflexo do amor de Deus por cada um. Para isso fomos criados por Deus, para sermos sinais vivos do Seu amor e da Sua bondade. Um casal que vive um amor e uma doação plena é terreno fértil para a ação do Senhor. É casa firme construída sobre a Rocha. 

O príncipe, após aprender a amar a rosa, volta e a história não conta o que acontece depois. Sinal claro de que, quando aprendemos a amar, Deus é que vai conduzir cada passo, logo não será mais necessário se preocupar, pois Ele cuida de cada detalhe. Assim, quando nós aprendemos a amar, aprendemos a depositar quem amamos no Altar do Senhor, entregamos o sentimento e o que surge dele e temos a certeza de que, o que quer que aconteça, será para a maior glória de Deus. Um coração que sabe amar, que sabe-se amado por Deus não se contenta com amores pequenos, mas quer sempre ser amado de verdade e amar verdadeiramente também. Quem sabe seu valor não se contenta com moedas brilhosas, mas sem valor.

Peçamos ao Senhor o dom de sabermos amar, ofertar esse amor e crescer na Sua Vontade!




Carinho e Orações

Michele Cristina Pacheco

Escrava inútil de Jesus por Maria

18 de Dezembro de 2014

domingo, 2 de novembro de 2014

Ser reflexo do amor de Deus

      Na nossa pequenez, às vezes esquecemos em quem devemos por nossa esperança. Nos achamos fortes, maduros, auto-suficientes, sentimos que o que já caminhamos é o suficiente para enfrentar os grandes desafios que vamos passar. Confiamos demais na nossa condição humana e esquecemos que devemos ser iguais as crianças, que não se cansam de pedir colo e proteção de quem é maior e mais forte que elas. Mesmo os com maiores caminhadas na fé, ainda tropeçam num orgulho que nos faz deixar Deus de lado, de querer “resolver tudo sozinho”. Aí já viu... Caímos com a cara no chão, nos ferimos, machucamos a nós mesmos e os que estão próximos de nós, quem amamos. Na nossa precariedade de seres humanos, ainda caímos na besteira de achar que somos fortes sozinhos.
         É hora de acordar dessa vida de quedas mal arrependidas, de esbanjar uma santidade que não existe, uma fortaleza que nada mais é do que o reflexo da nossa miséria. Só podemos ser fortes se o nosso coração está enraizado no coração de Deus, se nossos olhos estiverem tão fixos no Senhor que, para que algo chame nossa atenção, esta deva estar também fixa em Jesus. Se queremos chegar ao céu, se queremos a santidade, toda nossa vida deve ser uma constante busca daquilo que Deus sonhou pra nós. Nossas amizades, amores, relacionamentos, nosso trabalho, escola, família, enfim, tudo deve estar fixo em Cristo, tendo Ele como início, meio e fim de cada coisa. Não dá mais pra viver com um pé no mundo e outro em Deus, ser santo exige mais, exige dar tudo pelo Tudo, como já dizia São João da Cruz. Dar tudo pelo Amado é reconhecer-nos pecadores e necessitados da Sua profunda misericórdia, é mergulhar nesse mistério que é o Seu seguimento, é nos transformarmos em quem Deus nos criou pra ser. Aceitar-nos frágeis, fracos, cheios de limites e imperfeições. Aceitar-nos como pessoa capaz de ser melhor, repleta do Amor, morada do Espírito Santo.
         Não é fácil assumir nossas limitações, nem lutarmos para sermos melhores. Seria mais cômodo nos contentarmos com a pouca vida que temos, com o nada, com a ilusão que o mundo oferece. Mas tenho certeza que não é isso que você quer. Tenho certeza que não é isso que eu quero! Quero o difícil, pois ele me levará ao Senhor, quero sofrer, se for preciso, para, um dia, contemplar a face de Deus em mim. Quero saber amar a Deus e aos irmãos para assim ser espelho da beleza de Deus para os que necessitam. Quero restaurar o que está borrado em mim, estragado pelos erros e pecados, pela vergonha de assumir que sou pecadora. Quero, um dia, estar tão próxima de Deus, que o viver Dele será o meu, que o querer Dele será o meu. Enfim, quero mergulhar no Amor para, assim, aprender a viver, para transpassar a superfície do meu querer e só querer o que o Senhor quiser!
         Dá-me a graça, Senhor, de abominar o pecado em mim e dai-me coragem para ir além do que é confortável, do cômodo, do exterior. Dá-me, Senhor, um coração novo, que possa refletir somente a Ti!





Sou reflexo do Teu amor
E espelho da Tua beleza, Senhor!
Nem as limitações ou minhas imperfeições
me impedirão de contemplar a Tua face em mim
Sou reflexo do Teu amor
E espelho da Tua beleza, Senhor!
Nem as limitações ou minhas imperfeições
me impedirão de contemplar a Tua face em mim
O Teu olhar em meu olhar, restaura as pinturas que borrei
Os erros que cometi, o rosto escondido, entre as marcas que deixei
O Teu viver em meu viver, me ensina como agir pra transpassar a superfície
Ir além do meu querer e mergulhar em teu amor, no teu amor
Nem as limitações ou minhas imperfeições
me impedirão de contemplar a Tua face em mim
Sou reflexo do Teu amor
E espelho da Tua beleza, Senhor!
(Abner Santos)

Carinho e orações
Michele Cristina Pacheco
Escrava inútil de Jesus por Maria

01.11.14 – Solenidade de Todos os Santos

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Primavera do tempo e Primavera de Deus



Primavera, manhã tão clara! Cada flor, no seu momento, devido tempo, brotará...” (Primavera – Kennia)




Eis o momento tão esperado por alguns. A primavera chegou e com ela toda a beleza das flores e dos frutos. Parece que os pássaros cantam mais bonito, o sol brilha, o céu fica mais azul. Estação repleta de belezas que nos recordam o Criador, tempo de fazer brotar o que no inverno estava oculto. Isso no tempo da Terra, isso dentro de nós.
Na nossa Primavera espiritual percebemos que o inverno, tão duro e frio, gerou flores e frutos que agora embelezam nossa vida. Algumas flores já esperadas e outras que surgem sem que planejássemos. Sementes que nós plantamos e semente que Deus plantou em nós na sua infinita discrição florescem em nosso jardim nos apresentando novos sonhos e novos projetos. Também os antigos renascem e aproveitam essa época para se fortificarem e amadurecerem dentro de nós. É o momento do novo, do eterno novo que encontramos em Cristo, momento de descobrir as flores aqui em nós e de regarmos o jardim.
Por vezes a chuva e o frio ainda vêm, o inverno dá uma leve espiada no tempo da primavera, mas só para recordar que as estações não acontecem sozinhas, mas dependem uma da outra para ser o que são. Nossa vida não pode ser uma eterna primavera, assim como não se pode parar no inverno nem em qualquer outra estação.
Cada coisa tem seu tempo determinado por Deus, tanto na natureza quanto na nossa vida espiritual. É o que nos ensina as Escrituras:

“Tudo tem seu tempo. Há um momento oportuno para tudo o que acontece debaixo do céu. Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher a planta. Tempo de matar e tempo de salvar; tempo de destruir e tempo de construir. Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar e tempo de dançar. Tempo de atirar pedras e tempo de as amontoar; tempo de abraçar e tempo de separar. Tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de esbanjar. Tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar. Tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.
Que proveito tira o trabalhador de seu esforço? Observei a tarefa que Deus impôs aos homens, para que nela se ocupassem. As coisas que ele fez são todas boas no tempo oportuno. Além disso, ele dispôs que fossem permanentes; no entanto o homem jamais chega a conhecer o princípio e o fim da ação que Deus realiza.”
(Eclesiastes 3,1-11)

         Nem sempre entendemos o tempo de Deus. Queremos que a primavera seja no verão, que não exista outono e inverno. Queremos que nosso coração seja sempre aquecido de consolações e alegrias e esquecemos que é necessário que as folhas caiam, necessário a poda, para que a planta se fortifique. Esquecemos que só existe calor porque existe frio. Na nossa vida espiritual esquecemos que o tempo de Deus é diferente do nosso, que o inverno é necessário e é nele que aprofundamos a nossa fé. A primavera é boa, sim, mas não existiria se não fosse precedida pelo frio e pela chuva que nutre a terra do nosso coração.
         Nesse novo tempo de Deus, nessa primavera, aproveitamos os novos sonhos, o novo impulso que o coração tem ao ver as flores de Deus nascendo em nós. Caminhamos alegremente, com nova disposição, novo ânimo para encarar os desafios e nos prepararmos para o verão de Deus. As estações nos ensinam a esperar o tempo certo, a não apressar o tempo de Deus, pois é no Seu tempo que amadurecemos e damos frutos.
         Peçamos ao Senhor o dom de saber aproveitar cada estação da nossa alma, cada momento. E que saibamos acolher e sonhar os sonhos de Deus em nossa vida, para nos tornarmos o jardim que Ele sonhou.

Carinho e orações,
Michele Cristina Pacheco
Escrava inútil de Jesus por Maria
26 de setembro de 2014